Precariedade da PF na Amazônia contrasta com a PF dos telejornais, diz Federação
Enviada em 28 de outubro de 2009 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Para diretor da Fenapef, há duas polícias federais. “Uma com veículos e equipamentos modernos no Sul e Sudeste, e uma em situação precária”. Governo estuda incentivo salarial para manter policiais na Amazônia
De um lado a análise de incentivos salariais para os policiais federais lotados na região amazônica. De outro, um vídeo que mostrava as “péssimas” condições de trabalho na região amazônica, onde, segundo a Federação Nacional dos Policiais Federais - Fenapef, falta até água potável para os agentes. Apesar de ser a região com a mais extensa área fronteiriça do país, a estrutura e o contingente da Polícia Federal na região é bem inferior ao necessário. O debate aconteceu durante a audiência pública na Comissão da Amazônia da Câmara nesta quarta-feira, 28.
A oferta de incentivos salariais para os policiais federais lotados na região amazônica foi apresentada pelo Governo como a principal alternativa para fortalecer o policiamento na área de fronteira dos estados da Região Norte. “Apesar do caráter regional dos últimos concursos, muita gente consegue mudar de cidade por decisão judicial”, explicou o diretor de Gestão da PF, Joaquim Barbosa. Segundo ele, é preciso fazer como as Forças Armadas, onde há disputa entre seus integrantes para serem destinados à Região Norte em razão dos benefícios.
Mas para o diretor de Relações do Trabalho da Fenapef, Francisco Sabino, esse é um dos problemas. Ele apresentou um vídeo mostrando as precárias condições de trabalho na região amazônica. “Há duas polícias federais: uma com veículos e equipamentos modernos no Sul e Sudeste, e outra com situação precária”, criticou. Em cinco minutos, o vídeo mostrou imagens de uma Polícia Federal bem diferente da que ocupa espaço nos telejornais. Imagens de sucateamento e falta de estrutura, principalmente nas bases da PF e postos de fronteira, foram acompanhadas de um dossiê entregue pela Fenapef aos deputados da Comissão. “Sem tratamento diferenciado, é difícil manter os policiais na região”, disse.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, criticou o vídeo. Segundo ele, as imagens mostradas não correspondem à realidade, mas de situações provisórias. “Essa imagens poderiam refutadas com um outro vídeo que “deixaria o FBI [polícia federal americana] com inveja”, disse. O secretário destacou ainda os investimentos na área de segurança de fronteira de norte a sul do Brasil e citou projetos como o Vant (avião não tripulado), Força Nacional e o Gefron, grupo especializado na guarda das fronteiras como avanços para a região.
Sobre o combate ao crime na região de fronteira, Barreto defendeu que não deve ser fortalecido apenas com a contratação de pessoal, já que a área a ser coberta é muito extensa e não poderia ser ocupada exclusivamente pelos policiais. “É necessário trabalhar muito mais com mapeamento e inteligência”.
O deputado amazonense Silas Câmara (PSC), autor do requerimento da audiência, disse que a Lei das Licitações é uma das vilãs da má situação da Polícia Federal na Amazônia. “Os empresários não conseguem construir na região conforme as regras da Lei de Licitações, porque são obras muito caras e complicadas”, defendeu. Silas ainda definiu como “calamitoso e vexatório” constatar que o programa idealizado para combater o narcotráfico na fronteira com a Colômbia, que deveria ter 10 bases e 180 policiais, hoje conta com apenas três bases, e um efetivo de cerca de 20 policiais. O deputado, que é presidente da Comissão, sugeriu que seja decretada situação de emergência na região. “Isso agilizaria os processos burocráticos e a manutenção das unidades e bases da PF”.
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