Ministro diz que leva para Copenhague a mensagem de Chico Mendes
Enviada em 9 de dezembro de 2009 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Na solenidade de entrega do Prêmio que reconhece iniciativas que dão continuidade à luta do sindicalista, Carlos Minc diz que vai a Copenhague “não somente dizendo que seremos parte significativa dos problemas, mas parte significativa das soluções”
Ministro Carlos Minc entrega prêmio Liderança individual ao lider Indígena Jacir José de Souza Macuxi-RR
Brasília - Iniciativas sustentáveis protagonizadas por pequenas associações extrativistas, indígenas e de agricultores familiares, além de organizações não governamentais e municípios brasileiros preocupados com a biodiversidade, foram homenageadas na noite desta terça-feira, 8, com o Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente.
A solenidade de entrega da premiação aos vencedores do Prêmio, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, aconteceu em Brasília, no Centro Comunitário da Universidade de Brasília (UNB). O Premio Chico Mendes de Meio Ambiente é dividido em seis categorias: Liderança Individual; Organização da Sociedade Civil, Negócios Sustentáveis, Educação Ambiental; Saúde e Meio Ambiente e Municípios.
Para o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, as iniciativas inscritas e premiadas demonstram o potencial do Brasil em proteger o meio ambiente. Ações que, segundo ele, serão importantes até mesmo para as discussões que o país está levando para a Conferência do Clima, em Copenhague, na Dinamarca.
“Nós vamos levar para Copenhague a mensagem de Chico Mendes, não somente dizendo que seremos parte significativa dos problemas, mas parte significativa das soluções. Na Conferência do Clima nós não estamos lutando apenas pela redução nas emissões de carbono, nós estamos lutando pela defesa da biodiversidade e dos povos da floresta”, lembrou o ministro.
Minc disse ainda que, depois de estabelecidas as metas de redução pelo Brasil, o país poderá “cobrar em voz alta dos países desenvolvidos, ações de maior impacto”.
O Prêmio
O sindicalista e ambientalista brasileiro Chico Mendes destacou-se por sua militância em favor da preservação da Amazônia nas décadas de 70 e 80. Sua luta buscava evitar a devastação da floresta e conservar o modo de vida das comunidades locais. Chico Mendes foi assassinado em 1988, mas sua luta até hoje é perpetuada por centenas de comunidades e organizações em todo o país.
O Prêmio foi criado em 2002 pela Secretaria de Coordenação da Amazônia do MMA para valorizar agentes propulsores do processo de melhoria da qualidade ambiental na Amazônia.
Nesta edição foram 85 inscritos nas seis categorias. O estado do Amazonas teve 19 inscritos, sendo o estado com maior número de candidatos. Cada experiência selecionada recebeu um certificado e, com exceção da categoria Municípios, recursos no valor de R$ 28 mil reais.
A geração de renda para famílias cooperativadas foi uma das ações premiadas da noite. A Cooperativa Mista da Flona Tapajós – Coomflona, do Pará, ficou com o primeiro lugar na categoria “Negócios Sustentáveis”.
A Cooperativa reúne três associações comunitárias com 22 comunidades e tem o objetivo de melhorar a renda das famílias locais a partir da produção e comercialização sustentável de produtos florestais. Por meio do projeto intitulado Ambé, foram adquiridos bens duráveis para essas comunidades, possibilitando a recuperação de estradas para facilitar o escoamento da produção e a transição dos moradores entre a Flona e os centros das cidades.
“Podemos desenvolver projetos para que a Amazônia continue em pé, gerando renda e provando que desenvolvimento não significa derrubar a floresta”, ressaltou Sérgio Pimentel Vieira, representante da Coomflona Pará.
Destaque individual
Jacir José de Souza é um dos representantes dos povos da floresta também premiado por sua luta pela preservação da biodiversidade. Liderança da etnia Macuxi, da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, ele recebeu das mãos de Carlos Minc o Prêmio na Categoria Liderança Individual, pela atuação na luta pela demarcação das terras da Reserva.
“É muito bom quando o poder público reconhece nosso trabalho. Essa é a luta dos indígenas, a de preservar o meio ambiente que está se acabando”, desabafa. Jacir é um dos idealizadores do Conselho Indígena de Roraima (CIR) entidade que fortaleceu a luta de mais de 30 anos dos povos da Raposa Serra do Sol pela demarcação das terras e expulsão de garimpeiros e arrozeiros que ocuparam a reserva por décadas. A demarcação contínua da reserva foi determinada em março deste ano pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Para Carlos Minc essa foi a “maior conquista de ambientalistas, Poder Executivo e povos da floresta em 2009”. Segundo ele, essa é uma dívida da sociedade com os povos indígenas que só será saudada com a demarcação desses territórios.
O líder Macuxi conta que a Reserva hoje passa por um momento de reconstrução. “Os arrozeiros destruíram nosso meio ambiente, nossos igarapés, nossos rios. Depois da decisão do STF começamos um período de reconstrução da nossa biodiversidade, e pode levar até dez anos para que a gente consiga voltar a caçar e a pescar novamente”
Conheça os demais vencedores do Prêmio Chico Mendes
Organização da Sociedade Civil: 1º Lugar: Oficina Escola de Lutheria da Amazônia - Oela/AM
A Oficina Escola de Lutheria da Amazônia foi criada em 1997 para ensinar lutheria, marchetaria e fino acabamento em madeira, coerentes com os princípios de manejo florestal sustentável, a crianças e adolescentes do Amazonas.
Saúde e Meio Ambiente: 1° lugar: Secretaria da Mulher Extrativista do Pará
Em 1995, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas criou a Secretaria da Mulher Extrativista, que, a partir de 2000, passou a trabalhar uma ação continuada junto ao Programa Nacional de DST/Aids, promovendo encontros nos estados da Amazônia, envolvendo lideranças extrativistas. Em 2004 a Secretaria da Mulher Extrativista lançou o Programa “A bagagem das mulheres da floresta”, que definiu a metodologia para trabalhar o tema saúde nas reservas extrativistas.
Educação Ambiental: 1º lugar: Associação de Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes de Assis Brasil (AC). A Associação de Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes desenvolve projeto que contribui para a conservação ambiental na região da fronteira entre Brasil, Bolívia e Peru, e tem como missão promover o desenvolvimento e a identidade da criança em harmonia com a conservação da natureza.
Município: 1º Lugar: Marcelândia (MT)
Marcelândia foi listado como maior município desmatador de 2007, mas recentemente gerou o Plano de Desenvolvimento Sustentável, o Sistema de informação Territorial de Marcelândia, o Plano Diretor Participativo e o Zoneamento-Econômico- Ecológico (ZEE). Foi criado também o Programa Marcelândia 100% Legal, com foco na solução da questão fundiária com os zoneamentos municipal e estadual respeitando as características sociais e econômicas da comunidade que vive no município.
Notícias da Amazônia (Por Gisele Barbieri)
Foto: Jefferson Rudy/MMA




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