Globo Rural mostra rotina dos Kuikuros na aldeia
Enviada em 13 de janeiro de 2010 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Quando eles se casam quem sai de casa é o homem. Cada oca é habitada pela linhagem completa da família: os avós e seus filhos e netos. A divisão do espaço é muito simples. Em cada oca tem um equipamento de TV. “A tecnologia não atrapalha nossa cultura”.
Veja a reportagem do Globo Rural
Se tem uma coisa que chama a atenção de todo mundo que visita as aldeias do Alto do Xingu são as ocas. Construções gigantescas. As maiores chegam a ter cinco metros de comprimento, dez metros de largura e mais de oito metros de largura.
O cacique Afucacá diz que a cobertura é de sapé. “Em época de chuva, não chove aqui, é bem fresquinho lá dentro”.
Lá dentro é escuro, adverte ele, porque não tem janelas. As únicas aberturas são duas portas: uma na frente e outra nos fundos. Cada oca é habitada pela linhagem completa da família: os avós e seus filhos e netos.
Quando eles se casam quem sai de casa é o homem. A divisão do espaço é muito simples. Nas laterais são armadas as redes de dormir e no centro fica a cozinha.
Enquanto a gente filmava o interior da oca caiu um toró. As crianças correm para suas casas. Fugindo da chuva, os flautistas se abrigam na oca.
O cacique resolve dar uma canja para relembrar seus velhos tempos de flautista.
A chuva passou deixando no céu a marca do arco íris emoldurando a passagem dos flautistas, sempre a postos para não deixar a tristeza tomar conta da tribo.
Afucaca diz que a função dele como cacique é lutar para não deixar morrer a cultura milenar dos Kuikuros. “Dentro da aldeia, nossa tradição está viva. O colar que estou usando faz parte da tradição. Aqui não precisa de dinheiro”.
Kaiutá é um dos melhores artesãos da tribo Kuikuro. Junto com a mulher ele está preparando tiras de caramujo para fazer um colar igual ao que está usando. “O colar é como uma joia, quando a gente casa com uma mulher, por exemplo, dá de presente para os pais dela. É o dote. Eu dei dois colares de caramujo para o pai dela e dois colares para a sogra”.
Kaiutá adquiriu a espingarda de um outro índio e pagou muito caro por ela. “Dois arcos e um colar”.
Os trabalhos manuais dos índios do Xingu também são comercializados em lojas especializadas. A Funai faz a intermediação dos negócios.
Com o dinheiro eles compram principalmente, panelas de alumínio, material de pesca, sandálias, bicicletas, televisores, relógios e roupas.
Assim, aos poucos, os Kuikuros vão abrindo as portas da aldeia para a cultura dos brancos.
Já tem até equipe de TV. Eles participam de um projeto da Organização Não-Governamental: vídeo nas aldeias em parceria com o Museu Nacional do Rio de Janeiro, que ensina índio de várias tribos a operar câmeras de filmagens para registrar a cultura deles.
As imagens feitas por eles mostram a escola da tribo que funciona no barracão. A aula de português é ministrada por um índio da tribo.
Os Kuikuros também tem internet, cujo sinal chega através da antena parabólica. A Funai doou o computador e mandou fazer a sala de alvenaria. Yamaná já tem sua página na rede. “A tecnologia não atrapalha nossa cultura. Aqui nós estamos divulgando nossa cultura e facilita para a comunicação. Gosto de fazer pesquisa”.
Em cada oca tem um equipamento de TV, com isso eles ficam sabendo o que acontece mundo afora.
Fonte: Globo Rural
Veja também: Festa dos Kuikuros



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