Caiapós têm dificuldade para vender óleo certificado de castanha

Enviada em 28 de fevereiro de 2010 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Caiapós têm dificuldade para vender óleo certificado de castanhaO mercado pouco exigente em relação ao “selo verde” atrapalha também quem tenta vender produtos certificados não-madeireiros. É o caso dos índios Caiapó da Terra Indígena Baú, no município de Novo Progresso (PA), que extraem castanha. A área, de 1,5 milhão de hectares, recebeu o selo do FSC em 2006.

Até 2007 foi um bom período. Vendíamos para a indústria cosmética. Mas, em 2008, o mercado retraiu e paramos de produzir óleo de castanha”, resume Luís Carlos Sampaio, biólogo e coordenador do Instituto Kabu, que gerencia a área Baú.

Segundo ele, vender o óleo é difícil por vários fatores. “Primeiro, os fabricantes usam pouquíssimo óleo natural nos produtos. Outro entrave é o prazo de validade, de apenas dois anos. Depois disso, nosso óleo já não serve para a indústria cosmética e temos de vender para a indústria de biocombustível a um preço dez vezes menor.”

Agora, os Caiapós estão tentando vender a castanha para a indústria alimentícia de São Paulo. Mas, segundo Sampaio, o mercado não responde aos produtores certificados como se esperava. “O comprador, no geral, não exige certificação. Ele compra qualquer coisa, a qualquer preço e empurra o produto para o consumidor”.

Fonte: O Estado de SP (Por Karina Ninni - Especial para o Estado)

Foto: Luís Carlos Sampaio