Ainda é cedo para afirmar que ossadas encontradas no Pará são de pessoas da Guerrilha do Araguaia, diz Vannuchi

Enviada em 18 de março de 2010 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

O ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse hoje (18) que ainda é cedo para afirmar que as ossadas encontradas no Pará são de militantes mortos na Guerrilha do Araguaia. Mas ressaltou que se os restos mortais forem de guerrilheiros, é necessário descobrir possíveis falhas na busca anterior, realizada no final do ano passado, que encerrou as atividades sem resultados.

“Se houve uma busca e foi eficiente, é preciso aproveitar também para saber como se conseguiu. Essa busca conseguiu, e a outra não conseguiu”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

O ministro ressaltou ainda que a expedição do ano passado “foi para valer” e contava com uma equipe empenhada em descobrir onde foram enterrados os mortos no conflito. “Eu visitei pessoalmente, havia um contingente muito expressivo de peritos, técnicos, geólogos, inclusive alguns que eu indiquei.”

Foram encontradas na região do Tabocão (PA) ossadas que podem ser de militantes da Guerrilha do Araguaia, um movimento de resistência ao regime militar (1964-1985) organizado pelo PCdoB na primeira metade da década de 1970. O grupo de buscas encontrou as covas após receber informações de uma testemunha não identificada.

Para Vannuchi, o mais importante, caso as ossadas sejam dos militantes de esquerda, é demonstrar que não se deve desistir da busca pelos restos dos desaparecidos políticos dos anos 1970. “O que importa é  provar que vale a pena procurar, que não devemos desistir e que insistindo na procura temos chances de achar.”, destacou.

O  ministro disse estar confiante de que se conseguirá convencer os antigos participantes dos governos miliatres a informar onde foram enterrados os militantes mortos e desaparecidos. “Vamos conseguir convencer aqueles que participaram do processo, que estão vivos, que têm as informações, mas que ainda se recusam por medo de revanchismo ou de represália. Isso não haverá”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil