Faltam bibliotecas na Amazônia
Enviada em 1 de maio de 2010 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Na Região Norte, 66% dos municípios possuem ao menos uma biblioteca aberta. Região é a que menos empresta livros
Apesar disso, o Norte guarda também o maior índice de pesquisa escolar nas bibliotecas
Da Redação - O 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais (BMPs) – divulgado pelo Ministério da Cultura nesta sexta-feira, 30, deu sinal de alerta para os gestores de educação nos estados da Amazônia.
Em resumo, a região tem a menor média de empréstimos de livros (90/mês), bem abaixo da nacional (296/mês) e de regiões como Sudeste (421/mês), Sul (351/mês), Centro-Oeste (157/mês) e Nordeste (118/mês). Se o Acre sai da média e exibe a liderança regional com 133 empréstimos/mês, o Amapá tem o menor índice na região: 11,7/mês.
Na Região onde estão sete dos nove estados da Amazônia Legal, apenas 20% das bibliotecas têm internet, índice abaixo do nacional (45%). È a menor média no país. Esse índice chega a 65% na Região Sul, por exemplo. Em apenas 15% das BPMs os usuários têm acesso à rede, número inferior à média brasileira (29%).
Roraima é o estado do Norte onde o maior número de bibliotecas tem internet (50%).
O Censo mostra ainda que na Região Norte são apenas 2,01 bibliotecas por 100 mil habitantes. Entre os piores índices estão Manaus/AM (0,05), Belém/PA (0,06) e Ananindeua/PA (0,19).
A boa notícia é que apesar do menor índice de empréstimos de livros, a bibliotecas da Região Norte tem o maior índice de frequentadores em razão de pesquisas escolares (75%), maior que a média nacional de 65%. O Amapá é o estado brasileiro onde o uso para pesquisas escolares é maior (91%). Já os frequentadores de Roraima são os que mais vão às bibliotecas para pesquisas gerais em todo o país (88%). Apenas 1% do público das bibliotecas da Região vai ao local para o lazer, o que também é considerado um problema pelos educadores.
De acordo com o levantamento, em 2009, 66% dos municípios do Norte do Brasil possuíam ao menos uma biblioteca aberta, o que corresponde a 310 bibliotecas em 298 municípios. Em 23% dos casos na região, as Bibliotecas Públicas Municipais ainda estão em fase de implantação ou reabertura e em 11% estão fechadas, extintas ou nunca existiram. Considerando apenas aquelas que estão abertas são 2,01 bibliotecas por 100 mil habitantes. O Pará tem o maior índice de municípios que possuem Bibliotecas Municipais na região (77%), enquanto Amazonas tem o menor (37%).
O Norte tem uma média de 2,01 bibliotecas por 100 mil habitantes. Tocantins é o líder regional e nacional neste quesito (7,73) bem à frente das demais: Santa Catarina (4,5), Minas Gerais (4,1) e Rio Grande do Sul (4,0). Entre os piores índices estão Amazonas (0,70), Distrito Federal (0,76), Rio de Janeiro (0,86), Acre (1,44), Pará (1,60) e São Paulo (1,62). O município do Norte com maior número de bibliotecas por 100 mil habitantes é Itatituba/PA (1,56), seguido por Castanhal/PA (1,23) e Palmas/TO (1,06). Entre os piores índices estão Manaus/AM (0,05), Belém/PA (0,06) e Ananindeua/PA (0,19).
Censo
Foram pesquisados todos os 5.565 municípios brasileiros. Em 4.905 municípios foram realizadas visitas in loco para a investigação sobre a existência e condições de funcionamento de BPMs, no período de setembro a novembro de 2009. Os 660 municípios restantes - identificados sem bibliotecas entre 2007 e 2008 pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas foram pesquisados por contato telefônico, até janeiro deste ano.
O Ministério da Cultura vai investir R$ 30,6 milhões em 300 bibliotecas públicas brasileiras para a modernização dos equipamentos, a construção dos espaços em distritos, bairros periféricos ou zonas rurais e a adequação do local, acervo, programação e atendimento às pessoas portadoras de deficiência. Prefeituras municipais e governos de estados podem apresentar seus projetos, pleiteando uma verba que varia de R$ 85 mil a R$ 115 mil, por meio do Edital Mais Cultura de Apoio às Bibliotecas Públicas. As inscrições terminam em 15 de junho. Além dos recursos do Edital estão previstos R$ 21 milhões para a implantação de 420 bibliotecas e R$ 8,5 milhões para modernização de 250 bibliotecas em cidades com até 20 mil habitantes. Até o fim do ano serão investidos mais R$ 14,3 milhões em equipamentos de grande porte e bibliotecas onde funcionam as coordenações estaduais do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP). Entre as obras contempladas neste recurso a Biblioteca de Cruzeiro do Sul (2ª parcela) e a Biblioteca Digital Latinoamericana, no Pará.
Segundo o levantamento, em 420 municípios as Bibliotecas foram extintas, fechadas ou nunca existiram. Desse total, 51 estavam na Região. O Ministério da Cultura, por meio da Fundação Biblioteca Nacional e com recursos do Programa Mais Cultura - em parceira com as prefeituras municipais, vai promover a implantação ou reinstalação dessas bibliotecas, com a distribuição de kits com acervo de dois mil livros, mobiliário e equipamentos, no valor de R$ 50 mil/cada, totalizando R$ 2,55 milhões na região. A promessa é que as Bibliotecas Públicas Municipais recebam também os Telecentros Comunitários do Ministério das Comunicações.
Roraima tem a maior frequência do país
Segundo o levantamento, a média de visitas às BPMs na região Norte é de duas vezes por semana, atrás apenas do Nordeste (2,6 vezes/semana) e acima da média nacional (1,9). Roraima é a unidade da federação que tem a maior frequência às bibliotecas no país (4,1 vezes por semana). Nos demais estados: Amapá (2,6/semana), Amazonas (2,3/semana), Pará (2,1/semana), Rondônia (1,9/semana), Tocantins (1,8/semana) e Acre (1/semana).
Média do acervo é de 2 mil a 5 mil volumes
As BPMs do Norte têm acervos entre 2 mil e 5 mil volumes (45%), acima de 10 mil (9%), entre 5 mil e 10 mil (21%) e abaixo de 2 mil (25%). Na região, o Acre é o estado com maior quantidade de bibliotecas com volumes superiores a 10 mil (20%).O acervo da maioria das BPMs da região é constituído por doação (80%).
Poucas BPMs oferecem serviço para pessoas com deficiência
Apenas 3% das BPMs oferecem serviços para deficientes visuais (audiolivros, livros em Braille, etc), índice inferior ao nacional (9%). No caso dos serviços especializados para surdos-mudos, deficientes mentais ou físicos, o índice sobe para 4%, enquanto a média nacional é 6%.
Confira a pesquisa (apresentação em formato PowerPoint)
Notícias da Amazônia (com assessorias)
Imagens ilustrativas




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