Comissão quer infraestrutura e desenvolvimento sustentável para a Amazônia
Enviada em 19 de maio de 2010 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Nesta quarta-feira, 19, começa na Câmara dos Deputados mais um Simpósio Amazônia. Na sua quarta edição o evento traz como tema a “Infraestrutura para o Desenvolvimento Sustentável”, exatamente de acordo com os desafios pautados pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional - CAINDR para discussão em 2010.
Em entrevista à agência Notícias da Amazônia, o deputado Marcelo Serafim (PSB-AM), presidente da Comissão da Amazônia, falou sobre os desafios de estar à frente da Comissão em um ano de eleições. Segundo ele o tempo é curto, mas desde o início do ano já foram estabelecidas as prioridades junto às quais a Comissão deve atuar. Telefonia celular, energia elétrica e internet banda larga estão na pauta. “Todos esses serviços são péssimos ou precários na Amazônia e precisam de mais investimentos”, afirma Serafim em um dos trecho da entrevista que você confere a seguir.
Notícias da Amazônia: Quais são os principais desafios da Comissão este ano?
Dep. Marcelo Serafim: Temos muito a fazer e o tempo é curto. Esse ano é atípico. Ano eleitoral. Logo temos as convenções partidárias e depois a campanha propriamente dita. Mas, no início do ano legislativo elencamos algumas prioridades para que o trabalho rendesse. Entre os pontos estão questões de infraestrutura para a região amazônica, como o acesso à telefonia celular, à energia elétrica e à internet banda larga. Todos esses serviços são péssimos ou precários na Amazônia e precisam de mais investimentos.
NDA: Quais são os principais projetos relacionados à região?
Dep. Serafim: Temos várias proposições tramitando aqui no Congresso Nacional. Na Comissão da Amazônia, da qual sou presidente, estamos priorizando os projetos que possam melhorar o transporte na Amazônia. Temos distância continentais na região e precisamos melhorar, por exemplo, a aviação regional. Além disso, estamos na luta pela universalização do acesso aos meios de comunicação, seja por meio da telefonia celular seja por meio da internet banda larga.
NDA: A Comissão fala em investimentos em infraestrutura. Como está essa questão na Amazônia?
Dep. Serafim: O Brasil precisa pensar a Amazônia de forma diferente. Sabemos que muito foi feito, mas também sabemos que muito ainda precisa ser feito. Os investimentos em infraestrutura são decisivos para os rumos do desenvolvimento. Na área de transportes, por exemplo, a escolha da modalidade apropriada para cada local — rodoviário, ferroviário, aquaviário e aeroviário —, bem como suas interligações, é imprescindível para o sucesso dos empreendimentos e para reduzir os impactos socioambientais.
NDA: Na pauta internacional estão temas como a construção de hidrelétricas na Amazônia. O potencial hidrelétrico identificado na Amazônia pode prejudicar a região?
Dep. Serafim: As polêmicas partem dos especialistas, que apontam o risco de a hidrelétrica vir a produzir menos energia, a um custo maior para os investidores; dos ambientalistas, que temem os impactos sociais e ambientais na região; e do governo, que sustenta que a hidrelétrica é fundamental para evitar risco de apagão futuro no país. Polêmicas à parte, sendo eu representante do povo amazonense, vejo de forma muito positiva a instalação dessas hidrelétricas. Para o Amazonas, por exemplo, é muito melhor a hidrelétrica do que a queima de diesel como acontece atualmente que, entre outras coisas, ocasiona mais poluentes na atmosfera e prejudica o meio ambiente.
NDA: Nos fóruns de ciência e tecnologia é comum a demanda por mais pesquisadores na região. De que forma o Congresso pode contribuir para que a ciência e tecnologia na Amazônia tenha mais apoio?
Dep. Marcelo Serafim: Uma das formas é alocar recursos. Nesse sentido, destinei à Universidade Federal do Amazonas emenda de apoio à pesquisa, inovação e extensão tecnológica para o desenvolvimento social no Estado do Amazonas, no valor de mais de R$ 17 milhões. Em conversa com ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, confirmamos que a emenda será empenhada nos próximos dias. Temos compromisso com os anseios do governo federal no que diz respeito à Inclusão Digital.
NDA: Quais suas expectativas para o IV Simpósio da Amazônia?
Dep. Serafim: Este ano estamos propondo uma discussão sobre infraestrutura para o desenvolvimento sustentável. E o desafio que é imposto a esta geração é o de justamente combinar a preservação da rica biodiversidade da região com a utilização racional e autossustentável do seu fabuloso patrimônio. Claro que levando em conta as suas especificidades e dando condições dignas de vida aos seus 25 milhões de habitantes, internalizando os imensuráveis benefícios gerados pela Amazônia ao País e a toda a humanidade.
NDA: Essa é a quarta edição do Simpósio. Que tipo de avanço foi obtidos até agora?
Dep. Serafim: O I Simpósio “Amazônia e Desenvolvimento Nacional”, realizado em 2007 e precedido de etapas estaduais, teve como propósito resgatar o Plano Amazônia Sustentável (PAS). Já o II Simpósio Amazônia, em 2008, abordou o “Desafio do Modelo de Desenvolvimento”. Por fim, o III Simpósio “Amazônia: Desenvolvimento Sustentável e Mudanças Climáticas”, em 2009, também precedido de etapas estaduais, deu ênfase a experiências práticas de desenvolvimento sustentável. Esta IV edição do Simpósio Amazônia constitui, assim, mais uma excelente oportunidade para a discussão de temas que são tão caros aos amazônidas, aos brasileiros e a todos que reconhecem a importância dessa exuberante e megadiversa região.
Notícias da Amazônia (Por Camila Fiorese)
Foto: Agência Câmara




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