Começam testes de manejo florestal em 3D no Acre

Enviada em 31 de maio de 2010 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Começam testes de manejo florestal em 3D no Acre Começam nesta segunda-feira, 31, na Floresta Estadual do Antimary, em Sena Madureira, no Acre, os testes com a nova tecnologia 3D para aplicação no manejo e monitoramento de florestas nativas da Amazônia. Trata-se do sistema Lidar (perfilamento a lazer aerotransportado), desenvolvido pela Embrapa no Laboratório Virtual da empresa nos Estados Unidos (Labex EUA), em parceria com o Serviço Florestal Americano e Governo do Acre.

Para conseguir essa terceira dimensão, o novo sistema realiza uma espécie de escaneamento da área a ser manejada por meio do sobrevôo e da utilização de um pulsor de laser  acoplado a um GPS, que funciona entre mil e 1.500 metros de altura, emitindo feixes de luz em alta frequência, sobre a floresta, que variam de 100 mil a 200 mil pulsos por segundo. Isso significa um nível de infiltração na vegetação capaz de identificar pequenos impactos produzidos pela atividade florestal, como o corte de uma árvore. O grau de precisão das imagens do sistema Lidar, ao nível do solo, chega a ser de apenas 15 cm. Além disso, o sistema Lidar também permitirá estimar com precisão a quantidade de biomassa das árvores da floresta (avaliações da Madeira e do carbono).

O pesquisador Marcus Vinício d´Oliveira, um dos autores da tecnologia, avalia que o sistema pode ajudar na identificação de práticas ilegais de exploração de madeira, por exemplo. - “A inovação representa um salto na evolução do detalhamento das informações sobre a composição, estrutura, redes de drenagem e topografia de florestas tropicais. O Lidar fornecerá informações inéditas sobre a floresta, apresentadas em alta resolução e em três dimensões, que poderão ser utilizadas nas diversas etapas da atividade de manejo florestal”.

Começam testes de manejo florestal em 3D no Acre Nesta segunda, 31, um avião partirá da capital Rio Branco com uma equipe de pesquisadores em direção à Floresta do Antimary. A aeronave sobrevoará, por cerca de três horas, uma área de mil hectares de cobertura vegetal. O sistema será aplicado primeiramente em uma área de 500 hectares, que já vem sendo manejada; em seguida, em uma parcela de 500 hectares de floresta ainda intacta. O objetivo é avaliar a eficiência da tecnologia nestes ambientes e comparar os resultados obtidos com os dados alcançados em florestas temperadas de outros países que já adotam o sistema.

Com o avião a cerca de um quilômetro de distância do solo, o sistema consegue desenhar uma imagem detalhada. Dessa forma, as informações de longitude, latitude e altitude dos objetos permitem uma análise em três dimensões da floresta.

O governo do Acre financiou o levantamento de campo, que permitirá correlacionar os resultados da tecnologia com o que acontece na prática na floresta. Para o secretário de Florestas, Carlos Ovídio, a nova tecnologia surge como alternativa para melhorar a qualificação do manejo florestal. “Essa ferramenta vai aperfeiçoar o sistema de rastreamento de florestas e elevar a credibilidade do manejo florestal na Amazônia. Isto cria um diferencial no mercado, na medida em que contribui com o processo de certificação da atividade”, avalia.

Começam testes de manejo florestal em 3D no Acre Topografia e Arqueologia
O mapeamento realizado pelo Lidar, segundo Marcus Vinício, agrega informações inéditas sobre a floresta. “Para cada pulso que o sistema emite, retornam sete ou oito pontos com coordenadas que ajudam a mapear a área. Ao final da passagem do aparelho, uma nuvem de pontos permite uma alta definição da cobertura vegetal. Além disso, a tecnologia multiuso fornece uma gama de informações que as tecnologias convencionais não possibilitam como, por exemplo, aspectos da topografia e da rede hidrográfica da floresta.

No caso específico do Acre, além da atividade de manejo e das pesquisas florestais, poderá ajudar, inclusive, na localização de geoglifos (foto acima), formas geométricas antigas existentes nos solos da floresta. Essas figuras vêm contribuindo com pesquisas arqueológicas para explicar a existência de antigas civilizações na Amazônia.

Em termos gerais, o Lidar deverá proporcionar diversas aplicações, desde estudos de ecologia, e dinâmica de florestas, o monitoramento dessas áreas para o controle de desmatamento e atividades de exploração ilegal de madeira, além do manejo propriamente dito, visando o aproveitamento sustentável da floresta.
 
Experiência

O sistema Lidar vem sendo usado com sucesso, especialmente no manejo de florestas temperadas, em países como os Estados Unidos e Canadá desde meados dos anos de 1990. Nesses países o sistema tem também sido usado em áreas remotas como as florestas do Alasca, que tem três pontos comuns com as florestas da Amazônia: grandes áreas, dificuldade de acesso e restrições climáticas para trabalho de campo (no caso do Alaska o inverno e na Amazônia a estação de chuvas).

Mas esta é a primeira vez que a tecnologia será testada como ferramenta de planejamento e monitoramento em florestas tropicais, como as encontradas na Amazônia. Para isso, será realizado um vôo sobre duas áreas de 500 hectares no projeto de manejo florestal do FEA.

A primeira área é parte de um compartimento explorado em 2009  e a segunda uma área de floresta, ainda intacta, prevista para ser manejada em 2010.  “Com essa experiência, estamos querendo saber se obteremos com o uso dessa tecnologia em florestas tropicais, resultados semelhantes aos obtidos quando ela foi aplicada em florestas temperadas”, explica Marcus Oliveira.

A experiência é patrocinada pelo Serviço Florestal Americano (Forest Service), Embrapa e pelo Governo do Acre e, de acordo com os resultados obtidos, deverá ser aplicada em outros países da Amazônia.

Notícias da Amazônia (com informações da Embrapa)