Sabores da biodiversidade representam a Amazônia na VII Feira da Agricultura Familiar
Enviada em 17 de junho de 2010 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Organização dos produtores e crescimento da atividade são destaques da Região
Além do inesquecível alfajor de castanha e cupuaçu, muitos outros produtos típicos estão presentes no maior evento latino-americano da agricultura familiar
Brasília - Uma mistura rica de cores e sabores. Essa é uma das definições para a VII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária - Brasil Rural Contemporâneo que começou nesta quarta-feira, 16, em Brasília. O evento - o maior da América Latina de exposição e venda de produtos da agricultura familiar - reúne o melhor da produção de todo o País, além de cultura, música, artesanato, gastronomia, orgânicos e moda. Com 650 estandes que representam cerca de 20 mil famílias de agricultores familiares, são esperados em torno de 120 mil pessoas nos cinco dias de feira. O investimento do Ministério do Desenvolvimento Agrário chegou a R$ 13 milhões.
A Feira reúne todos os estados brasileiros e reflete a importância do setor para a economia do País, os produtos mais expostos da região amazônica são a castanha do Brasil – a castanha do Pará - e também as polpas de frutas típicas como cupuaçu, açaí e cacau, além dos derivados desses produtos.
Alfajor de castanha
O presidente da Cooperativa de Extração de Castanha do Brasil do Mato Grosso, Albino dos Santos Filho, esclarece que a mudança do nome da castanha foi em razão de ela não ser produzida só no Pará, mas também em outros estados da Amazônia Legal. Albino, que participa desde a primeira Feira, em 2004, relata que sua participação tem sido muito importante para os mais de 30 cooperados que ele representa, pois o retorno é muito positivo. “Além da divulgação dos produtos, o evento proporciona a realização de bons negócios”, afirma. Em seu estande são vendidas castanhas defumadas e temperadas com alho, orégano, cebola e outros condimentos. A novidade é o alfajor de castanha com recheio de cupuaçu que, vendido a R$ 1, tem arrancado elogios dos visitantes.
Organização
O coordenador do evento, José Adelmar Batista, destaca a organização dos agricultores familiares da região amazônica. “Em razão das grandes distâncias, eles enfrentam muitas dificuldades de locomoção. Quando eles formam uma cooperativa, demonstram um crescimento, um amadurecimento por parte dos agricultores. Isso mostra que o agricultor se deu conta que precisa se organizar para participar dos eventos. Caso contrário, vai continuar fazendo somente o extrativismo e passando para as grandes empresas agregarem valor ao produto”.
Batista comenta que na região Norte, assim como em todo o país, houve um crescimento da agricultura familiar. “No Norte, principalmente, os agricultores estão entendendo que dá para fazer agricultura sem derrubar a floresta”. O coordenador rebate as críticas de que a agricultura familiar causa o desmatamento. Segundo ele, a afirmação é falsa, pois o agricultor familiar tem aprendido a lidar de forma sustentável com a agricultura por meio de programas de vários ministérios.
Para os próximos anos Batista destaca que como desafio da agricultura familiar a organização. “Produzir o agricultor sabe. O que ele precisa é se organizar para agregar valor, além de participar do processo de comercialização”.
A força da Agricultura Familiar
A agricultura familiar representa quase 40% de toda produção agrícola brasileira. Participa com cerca de 10% do PIB nacional e utiliza apenas 24,3% da área agricultável do país, o que na opinião do coordenador demonstra que na agricultura familiar se tem condições de produzir mais e melhor.
São mais de 4,3 milhões de propriedades agrícolas familiares no Brasil, que respondem pela produção de 70% dos alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros. O censo do IBGE/2006 apontou que a agricultura familiar é responsável por sete em cada dez ocupações no meio rural. Os agricultores familiares produzem 87% da mandioca consumida no Brasil, 70% do feijão, 58% do leite e 46% do milho.
VII Feira
Nas seis edições da Feira realizadas desde 2004 – quatro em Brasília (DF) e duas no Rio de Janeiro (RJ) – cerca de 700 mil pessoas compraram e saborearam produtos e se deliciaram com espetáculos e apresentações culturais. Em maio deste ano foi realizada uma edição especial em Porto Alegre (RS).
O Brasil Rural Contemporâneo é um evento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Incra, com patrocínio de Petrobras, Sebrae, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, BNDES, Eletrobrás, Itaipu Binacional, Sebrae, Anfavea, Ufrabio e Itambé. E conta com apoio do Instituto LatinoAmérica para o Desenvolvimento da Educação, Ciência, Arte e Cultura e do Governo do Distrito Federal.
Azeite de Castanha
Nutritivo, o Azeite de Castanha sai de Laranjal do Jarí, no Amapá, para vários estados do Brasil e também exportado para China, Portugal e França. Elizeu Cardoso Viana, presidente da Cooperativa Mista Extrativista Vegetal de Agricultores, diz que o produto chega a custar, em outros estados, mais do que o dobro do que é vendido no Amapá. Na feira ele vende a garrafa de 375 ml por R$ 15, porque todas as despesas são subsidiadas pelo evento.
Aromas da Floresta
Em Guajará-Mirim, Rondônia, produtores trabalham com uma linha de cosméticos naturais. Exportam uma essência de um perfume para a Alemanha. Em Rondônia o perfume é vendido por R$ 45 e na Alemanha chega a R$ 85. A empresária fundadora, Inara de Sá, diz que ainda faltam linhas de crédito para os microempresários. Segundo ela, tem sido muito difícil conseguir crédito para crescer. Inara diz que não pensa em sair da forma artesanal que trabalha, pois segundo ela, o artesanal é que a coloca como diferente no mercado de cosméticos. A maioria dos agricultores vende apenas em feiras locais, mas a meta de muitos é exportar, já que assim é possível agregar valor aos produtos.
Notícias da Amazônia (Por Camila Fiorese)




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