Repórter Amazônia: Preservar a história da Amazônia para salvaguardar o futuro
Enviada em 23 de junho de 2010 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Programa lançado pelo IEA-USP pretende conservar informações importantes para pesquisas atuais e posteriores sobre a região
Por Daniele Silveira, da PUC-SP
As questões que envolvem à Amazônia vão além dos problemas sociais e ambientais. Em conferência realizada no Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA) para o projeto Repórter do Futuro, Maritta Koch-Wesser apresentou o programa “Amazônia em Transformação: História e Perspectivas” que tem como objetivo coletar, preservar, organizar e difundir as pesquisas realizadas sobre a região nos últimos 50 anos.
“Para responder as questões sobre o futuro é essencial um aprendizado com o passado recente”, disse Maritta que é coordenadora do programa. O recorte do período escolhido que vai de 1960 até 2010 foi determinado depois da análise do processo de profunda transformação política e econômica ao qual a região foi submetida durante esses anos.
O projeto foi lançado em 2009 pelo IEA e tem como uma das suas principais iniciativas fazer o resgate da memória histórica da Amazônia através da identificação de pesquisas feitas sobre a região. Maritta relata a dificuldade de escolher o material a ser preservado “são acervos enormes, a questão é discriminar quais são os documentos mais importantes”.
Sem o armazenamento adequado muitos dos arquivos encontrados já apresentavam estado de degradação. A coordenadora do programa explica que o primeiro passo é mapear os trabalhos não publicados, raros e ameaçados pela má conservação. Ainda na etapa de recuperação, o programa também concerne à realização de entrevistas com dirigentes de políticas públicas direcionadas à Amazônia a partir de 1960. As conversas buscam remontar o contexto histórico da época, tentando entender quais as motivações para determinadas decisões, como a construção da Transamazônica.
Em seguida, o material identificado deve ser digitalizado e disponibilizado para acesso via internet. “Pouco vale a informação se não criamos o acesso a ela”, afirma Maritta. A proposta inicial é criar um site acadêmico (intranet USP), que seja um vasto banco de dados sobre a região amazônica e que permita a troca de informações entre pesquisadores e outros interessados na área.
Há intenção também de expandir a articulação do tema no meio online através da criação de outros meios como fonte de informação. Um dos exemplos é o que a coordenadora do programa chama de “Google Amazon”, que seria um site de buscas temático sobre a região e que forneceria publicações com diferenciação sub-regional. A grande variedade ambiental, social e cultural da Amazônia coloca a necessidade de uma análise que respeite as suas especificidades.
Maritta também ressalta a importância de utilizar os recursos já disponíveis na internet, como a Wikipedia, por meio da complementação do banco de dados dos portais. Entre as metas do programa ainda está a criação de um acervo físico de documentos e livros sobre a região, que constituiria um Centro de História da Amazônia.
Busca por parceiros
O projeto para executar os objetivos propostos pretende desenvolver uma vasta aliança com instituições e programas especializados na Amazônia. Maritta considera que as idéias apresentadas devem expandir para além do IEA e ressalta a necessidade da criação de uma figura institucional específica que atenda a área. “Hoje tem instituições importantíssimas, mas principalmente sobre ciências naturais”.
O Programa de Infraestrutura da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) já forneceu R$ 317 mil para aquisição de equipamentos e programas necessários à digitalização e disponibilização na internet dos acervos tratados.
A iniciativa de salvaguardar os arquivos identificados e a intenção de agregar parceiros demonstra a característica de execução “descentralizadora” do programa, afirma Maritta. Todo o processo apresentado pelo programa que vai desde a identificação, passando pela preservação, até a publicação dos estudos anteriores que se pautam na Amazônia podem ser instrumentos para o avanço de pesquisas posteriores sobre a região.
Daniele Silveira é estudante de jornalismo da PUC-SP e participa do curso Descobrir a Amazônia, descobrir-se repórter.
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