Soja ocupa 0,2% da área desmatada na Amazônia nos últimos 3 anos
Enviada em 9 de julho de 2010 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Ministra reafirmou posição do Ministério do Meio Ambiente de que o desmatamento hoje está mais ligado à pecuária
Moratória valerá por mais um ano na Amazônia
Da Reuters, por Roberto Samora
Na temporada 2009/10, a soja ocupou 6.295 hectares de áreas desmatadas no Bioma Amazônico nos últimos três anos, de um total de 2,48 milhões de hectares de florestas que foram derrubadas no mesmo período, apontou um levantamento divulgado nesta quinta-feira pelos participantes da Moratória da Soja.
O cálculo, baseado em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indica que a produção de soja em áreas desmatadas da Amazônia ocupou somente o equivalente a 0,25 por cento do total desmatado nos últimos três anos basicamente nos Estados de Mato Grosso, Pará e Rondônia, destacaram os integrantes da Moratória da Soja.
A Moratória, um pacto firmado há quatro anos entre indústrias e tradings atuantes no Brasil, que desde então não compram o grão produzido em áreas desmatadas após 2006, é vista pelo governo e por ambientalistas como um importante movimento para evitar desflorestamento de novas áreas para a agricultura.
O movimento do setor privado também responde a uma demanda internacional, especialmente de europeus, principais compradores de farelo de soja do Brasil, que exigem um produto ambientalmente sustentável.
“Pelos resultados do monitoramento do Inpe, a gente entende a dimensão real do problema em torno de novos desmatamentos associados a fazendeiros… É importante (a área de soja no Bioma Amazônico), mas não dá pra dizer que novos desmatamentos estão associados à soja”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, durante evento do setor privado para a apresentação anual dos resultados do acordo.
“O grande mérito da moratória foi colocar um freio no processo de desmatamento”, acrescentou Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace.
Cerca de 7 por cento da soja produzida no Brasil, o segundo produtor mundial do grão, está no Bioma Amazônico, que se estende por cerca de 50 por cento do território brasileiro. Mas quase a totalidade da oleaginosa é cultivada em áreas desmatadas antes de 2006.
DESAFIO
Diante dos dados, a ministra reafirmou posição do Ministério do Meio Ambiente de que o desmatamento hoje está mais ligado à pecuária.
“Temos o desafio de trabalhar com a cadeia da pecuária, e já temos avanços nisso, pra poder reduzir a participação desse setor, e o estudo da soja mostra que é possível fazer esse caminho (com a pecuária)”, disse ela.
O Ministério da Agricultura lançou no ano passado um programa para monitorar fazendas de gado do Pará –importante criador de gado e um dos Estados que mais desmatam ao lado do Mato Grosso–, com o objetivo de coibir desflorestamentos decorrentes do avanço da criação de bois. E o Ministério do Meio Ambiente tem intensificado a fiscalização na área.
Da mesma forma, frigoríficos também se comprometeram a não adquirir gado criado em áreas desmatadas.
Enquanto isso, a associações do setor de grãos (Abiove e Anec) e companhias como ADM, Cargill, Bunge, Louis Dreyfus, além da brasileira Amaggi renovaram a Moratória da Soja por mais um ano.
Frente aos resultados apresentados pelo pacto, o Grupo de Compradores de Soja Europeus e o Walmart Brasil declararam nesta quinta-feira apoio à manutenção da Moratória da Soja pelo próximo ano.
“A expectativa do grupo é continuar aprimorando o processo de controle do desmatamento na Amazônia e os procedimentos de controle para garantir que a soja produzida no Brasil não esteja relacionada ao desmatamento no bioma”, afirmou o Walmart Brasil em nota.
Da Reuters, por Roberto Samora




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