Federação dos policiais federais denuncia situação de trabalho em Raposa Serra do Sol

Enviada em 20 de abril de 2008 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Inferno. É assim que Federação Nacional dos Policiais Federais define a situação vivida pelos policiais federais que estão na Operação Upatakon, na reserva raposa Serra do Sol, em Roraima. O diretor de Relações do Trabalho da Fenapef, Francisco Carlos Sabino, está na região e avalia a situação vivida pelos federais como degradante. Para ele, a responsabilidade por este quadro caótico é da coordenação da Operação. “Se não tem condições de coordenar que peça para sair daqui”,diz Sabino

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 Alojamento precário Policiais dormem no chão

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 Dia-a-Dia

A Operação levou o estado de Roraima cerca de 150 policiais federais que acompanham o impasse entre índios e arrozeiros na reserva Raposa Serra do Sol. Mas, segundo a Federação, “enquanto índios e arrozeiros se estranham, e governo e STF não se entendem, os policiais sofrem com a falta de planejamento da operação e infra-estrutura básica para suportar o trabalho na região”.

 

Os agentes que estão em Roraima são divididos em três grupos. Um fica em Boa Vista, outro em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, e o outro na terra indígena Surumu. Segundo a Federação, um dos integrantes da coordenação da operação chegou a chamara os três locais, respectivamente, de paraíso, purgatório e o inferno.

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 Comida é feita… …em cozinha improvisada

 

A única agente

 

Surumu fica a cerca de 150 quilômetros de Boa Vista. Apesar da relativa proximidade a energia é produzida por gerador, desligado à meia-noite. O calor é insuportável e não há alojamento para os policiais. Alguns se amontoam em uma maloca indígena onde descansam em redes ou sacos de dormir, já que o DPF não forneceu colchões. Outros penduram redes nos lugares que sobram.

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 Entrada  Alojamento improvisado

Nas imagens produzidas pela Federação, uma cena chama a atenção: a única agente que participa da operação na terra Surumu também dorme na maloca e utiliza um banheiro cedido pela Funai na casa de uma indígena. A privacidade não tem espaço, nem para ela, nem para os colegas agentes.

 

Em Pacaraima a situação não é muito mais fácil, segundo a entidade sindical. Quarenta policiais estão amontoados em duas casas que servem de alojamento para a PF e num pequeno hotel onde ficam três em cada quarto. Nas casas destinadas para alojamento não há camas ou móveis.

 

Hospital, trabalho e armas vencidas

 

Segundo apurou a Fenapef, até o momento 22 policiais - 12 da PF e 10 da Força Nacional de Segurança - foram parar no hospital por causa de intoxicações alimentares provocada por comida contaminada. No hospital não há médicos, critica a entidade. A carne consumida no local, por exemplo, não tem procedência e tão pouco onde ser armazenada.

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 Spray vencido  Comida?

Na terra Surumu e em Pacaraima o trabalho dos policiais consiste em acompanhar a situação de longe. Em turnos de 6 horas durante 24 horas do dia eles revistam veículos tanto na entrada da reserva quando na fronteira com a Venezuela. A medida tem o objetivo de não deixar circular armas na região.

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 Pacaraima  revista em automóvel

Antes de iniciarem o trabalho os policiais tiveram um curso de 4 dias sobre Controle de Distúrbio Civil, para atuar na desocupação da área ou na manutenção da paz entre indígenas e arrozeiros que estão na terra. Ocorre que não há escudos para todos os policiais que fizeram o curso e, uma das armas não letais que deveria ser usada nessas operações, está vencida: o spray de pimenta foi comprado em 2004 e venceu em dezembro de 2007.

 

“Esse grau de precariedade ao qual estão submetidos os policiais mostram o grau de amadorismo usado no planejamento, logística e execução da operação Upatakon. Não há camas, não há comida decente, não há alojamento, não há médico. O resultado de tudo isso se reflete na moral dos policiais”, denuncia a Federação.

 

E entidade reclama ainda que muitos agentes não receberam diárias e outros foram deslocados para uma operação sem saber que iam Roraima. “Vários deles chegaram ao estado sem as vacinas básicas e tiveram de tomá-las por lá mesmo, o que é um risco para esses agentes”, afirma Sabino.

 

“Tudo isso faz com que o número de federais que querem juntar as coisas e dar meia volta seja grande, mas como missão é para ser cumprida todos permanecem lá firmes, e trabalhando pelas próximas semanas”, diz o diretor da Federação.

 

Para Sabino, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa “não deve estar informado sobre os problemas enfrentados pela PF em Roraima”. “O diretor-geral foi agente federal e sindicalista e acredito que ele não saiba dessa situação porque, se soubesse, certamente já teria feito algo”.

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 Tensão  Índias na linha de frente

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