Pará registra, em uma semana, dois casos graves de violência contra crianças

Enviada em 29 de abril de 2008 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

O primeiro foi uma criança de 4 anos, achada morta dentro de casa. O segundo, um menino de 11 anos que foi estrangulado 

As crianças estão entre as principais vítimas de violência no Brasil. No país em que, a cada dez horas uma criança de até 14 anos é assassinada (dados do Ministério da Saúde) o estado do Pará protagonizou na última semana dois casos graves que envolveram uma criança de 4 e outra de 11 anos.

Em Ananindeua, na terça-feira, 23, um homem foi preso suspeito de estrangular e matar o enteado, um menino de 11 anos. Segundo a polícia, ele confessou o crime e disse que queria se vingar da mãe da criança. O corpo da vítima foi encontrado terça-feira, em um quarto da casa onde ele morava.

Na cidade de Bragança, Petrus Augusto Maiorosco desapareceu no sábado, 26, da casa dos avós. Segundo a polícia, um amigo da família é o principal suspeito de seqüestrar e matar o menino de quatro anos. O corpo do menino foi encontrado em um lago, na segunda-feira, 21. 

A polícia diz que há marcas de violência e que o menino pode ter sofrido abuso sexual. Antonio Sérgio Barata foi preso como suspeito do crime e já tinha sido condenado a seis anos de prisão por estupro de uma adolescente no Pará em 1996.

Violência 

Segundo Relatório Mundial sobre Violência contra Crianças e Adolescentes da Organização das Nações Unidas (ONU), entre janeiro de 2003 e novembro de 2007, foram registradas 76.568 denúncias de violência contra crianças. Destas, 55.576 agressões apresentaram envolvimento familiar. Em 81,3%, os pais são identificados como os agressores.

Os dados apresentados pelo relatório foram registrados pelo Disque 100, um sistema da Secretaria Especial de Direitos Humanos que recebe denúncias sobre agressões contras crianças e adolescentes. Em média, segundo dados da secretaria, 93 ligações com relatos de maus-tratos, agressões, espancamentos e violência sexual são recebidos diariamente.

De acordo com Leila Paiva, advogada coordenadora do Disque 100, a violência contra crianças é um fato comprovado historicamente. “Antigamente, as agressões sofridas pelas crianças em suas casas eram ‘explicadas’ por seus pais e agressores, como forma de educação”.

Leila disse ainda que o ambiente familiar, que deveria servir de proteção para a criança, era usado pelos pais agressores para se protegerem das punições legais. “Hoje, essas pessoas já sabem que nem mesmo o espaço privado de suas casas os protegerão de denúncias e das punições previstas em lei”.

A advogada afirmou que, apesar do número de denúncias sobre violência contra crianças ter crescido, o indicador ainda é muito pequeno diante do real número de agressões sofridas pelas crianças. “A situação é mais comum do que a população imagina ou vê com os próprios olhos.”

Pesqusiadores do Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), da Universidade de São Paulo, estimam que apenas 10% dos casos sejam denunciados a instituições municipais.

Fonte: Notícias da Amazônia (com agências)