Manaus discute direito à saúde de jovens e adolescentes

Enviada em 26 de novembro de 2007 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Manaus - Aprovada no Conselho Nacional de Saúde em fevereiro, a Política de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e de Jovens apresenta aos profissionais da área uma nova proposta para a atenção básica dos brasileiros com idade entre 10 e 24 anos, que respondem, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por 30,3% da população.

De acordo com a assessora de Saúde do Adolescente e do Jovem do Ministério da Saúde, Ana Sudária, apesar da recente aprovação da política nacional, há quase 20 anos tenta-se desmistificar a idéia de que é preciso ter especialistas para tratar do atendimento básico dessa parcela da população.

Segundo ela, a maior necessidade é a capacitação para qualquer atendimento em saúde e, no caso da adolescência, um olhar diferenciado para esse público, considerando as diferenças que a pessoa pode apresentar neste período de vida. Ela acrescenta que 80% dos problemas dos jovens podem ser resolvidos no atendimento básico.

“Aprendemos que para atender adolescentes tínhamos que ter especialistas. Mas descobrimos posteriormente que não temos condições de ter especialistas em todos os lugares e que não é preciso ser especialista para entender esse adolescente. É preciso haver capacitação bem feita e humanização no atendimento, com um olhar diferenciado para as especificidades, do mesmo modo que temos com crianças ou idosos. São difereças na evolução da vida que nos exigem um olhar diferenciado, mas nada tão difícil ou específico que impeça o atendimento na atenção básica”.

Em Manaus, a questão ganhou força hoje (26), com o lançamento da cartilha Adolescência para Profissionais de Saúde, lançada pelo prefeito Serafim Corrêa durante o 1º Seminário Municipal em Saúde do Adolescente. A publicação é dividida em três capítulos e será distribuída entre os profissionais que atuam nas unidades de saúde municipal.  “Esta cartilha representa um avanço, porque vai contruibuir com o trabalho de profissionais de saúde no sentido de prestar um atendimento mais qualificado aos jovens. A cartilha está de acordo com a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e de Jovens e segue diretrizes do Sistema Único de Saúde”, disse o prefeito.

A psicóloga da Secretaria Saúde de Manaus, Amandia Lima, concorda com a representante do Ministério da Saúde, mas reconhece que existem dificuldades no atendimento ao jovem, como preconceito por parte de profissionais na hora de atender um adolescente.

“O direito à saúde de um adolescente tem que estar próximo à residência dele, com acesso, abertura e acolhimentro para esse adolescente. Muitos casos serão trabalhados na atenção básica. Somente alguns específicos necessitam de encaminhamento para uma rede de referência”, observou.

“A idéia é que as unidades básicas estejam disponíveis para esse primeiro acolhimento e para um trabalho voltado à promoção de saúde e prevenção. A busca dessas unidades deve ser por um adolescente ainda saudável, para que ele faça seus exames anuais e consiga freqüentar a unidade de saúde sem burocratizações”.

A classificação do Ministério da Saúde para o reconhecimento da adolescência e juventude tem base na Organização Mundial de Saúde (OMS). É considerado adolescente quem tem entre 10 e 19 anos de idade. Jovem é aquele com idade entre 19 e 24 anos.

Dados do ministério revelam que o país tem hoje a geração de jovens e adolescentes mais numerosa de sua história, chegando a mais de 54,3 milhões de pessoas. Desse total, 84% vive em áreas urbanas e 16%, nas zonas rurais.

Fonte: Agência Brasil