Ministro da Cultura chega a estados da Amazônia
Enviada em 29 de abril de 2008 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Gilberto Gil vai aos estados do Amapá, Roraima e Acre para lançar programas e projetos para o fortalecimento das atividades culturais na Região Norte
O ministro da Cultura, Gilberto Gil visita três estados da Amazônia entre os dias 28 de abril e 2 de maio o ministro da Cultura. Nos estados do Amapá, Roraima e Acre, o ministro lança programas e projetos para o fortalecimento das atividades culturais na Região Norte.
No Acre e no Amapá Gil vai assinar acordos de cooperação do Programa Mais Cultura com os governos dos estados, anunciar projetos culturais e conhecer ações de Pontos de Cultura, comunidades indígenas e quilombolas. Já em Roraima, vai lançar, em parceria com o Banco da Amazônia, o Programa Amazônia Mais Cultura, com linhas de crédito, microcrédito e patrocínio para atividades culturais de toda a região.
Esse pacote de medidas é uma das estratégias do Ministério da Cultura para ampliar o apoio e os investimentos do Governo Federal nos estados do Norte. A partir da política de descentralização orientada pelo MinC, nos últimos cinco anos, os investimentos na região aumentaram 13 vezes - de R$ 2,4 milhões, em 2003, para R$ 31 milhões, em 2007.
“Historicamente, o Estado brasileiro investia pouco na Região Norte. Por um lado, isso se devia aos governos, mas por outro, era conseqüência da demanda ainda incipiente da própria região, que enviava poucos projetos ao MinC”, explica o ministro Gilberto Gil.
Para o ministro, nesses cinco anos o quadro já mudou. “Agora queremos multiplicar esses avanços. Por isso, além do Programa Mais Cultura, que vai unir esforços das três esferas de governo e da sociedade civil para fortalecer o desenvolvimento cultural da região, também faremos nesse ano uma série de oficinas para que cidadãos e produtores do Norte possam se capacitar na elaboração, produção, captação e gestão de projetos culturais”, completa.
Amapá
Durante a viagem à Região Norte, o ministro Gilberto Gil vai conhecer a comunidade de remanescentes do Quilombo do Curiaú, no Amapá e a sede do Conselho das Comunidades Afro-descendentes do Amapá, onde se reúne com lideranças quilombolas. Ainda no Amapá o ministro participou ontem (28) do lançamento do projeto Jornada Cultural, no Museu Fortaleza São José de Macapá. Patrocinado pelo Ministério da Cultura, em parceria com o governo estadual, o projeto promoverá cerca de 40 eventos culturais em diversos municípios amapaenses.
A iniciativa envolve shows musicais, espetáculos teatrais, saraus, exposições de livros, apresentações de grupos de cultura popular, exposições de artes visuais e exibições de documentários. A estimativa do público é de 76 mil pessoas, com idade a partir de 15 anos oriundos de diversas camadas da sociedade. Ao todo, foram investidos R$ 696 mil na ação, sendo R$ 500 mil do Ministério da Cultura e, R$ 196 mil, de contrapartida do Governo do Estado do Amapá. O ministro da Cultura encerra sua pauta em Macapá com a assinatura do Programa Mais Cultura com o governo estadual.
Roraima
Hoje (29) o ministro da Cultura, Gilberto Gil e sua comitiva chega a Boa Vista. Às 15h30 o ministro concede entrevista coletiva à imprensa, no Palácio da Cultura.
Às 16h, participa da cerimônia de lançamento do Programa Amazônia Mais Cultura, desenvolvido pelo Banco da Amazônia em parceria com o Ministério da Cultura (MinC). O programa disponibiliza linhas de crédito, microcrédito e patrocínio para financiar ações culturais em todos os estados da Amazônia Legal e prevê programas de capacitação para gestores e produtores culturais.
O Banco da Amazônia, principal instituição financeira de fomento da região, vai disponibilizar linhas de crédito para financiar ações culturais nos estados do Norte, voltadas para pessoas físicas e jurídicas ligadas à produção de espetáculos de artes cênicas; música e exposições de artes visuais; produtoras de audiovisual (cinema, vídeo, rádio e televisão); produtoras, gravadoras, editoras e distribuidoras de discos (CDs, DVDs) e outras mídias; e, também, salas de exibição, casas de espetáculos, teatros e galerias de arte; dentre outros.
Acre
Já na quarta-feira, 30, o ministro viaja para Rio Branco, onde assina o acordo de cooperação do Programa Mais Cultura com o governo do Acre. Lá Gil anuncia o processo de tombamento da Casa de Chico Mendes como patrimônio nacional, que será avaliado no próximo dia 15 de maio pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Na ocasião, o ministro receberá de líderes religiosos de comunidades locais o pedido de registro da Ayahuasca como Patrimônio Imaterial Cultural brasileiro.
Ainda em Rio Branco o ministro Gil visita os Pontos de Cultura Associação Vertente e Casa de Leitura da Gameleira. A Associação Vertente atende crianças da periferia de Rio Branco, oferecendo cursos de percussão, confecção de instrumentos com sementes, além de aulas de exercícios vocais, dança e yoga. Já a Casa de Leitura da Gameleira disponibiliza livros à população e oficinas de formação de agentes incentivadores de leitura e contadores de histórias.
Saber da Floresta
No feriado de 1º de maio, o ministro da Cultura segue para Marechal Thaumaturgo (AC), onde conhecerá a Escola Yorenka Ãtame - Saber da Floresta, iniciativa desenvolvida pela comunidade indígena da Reserva Ashaninka, que funciona como espaço de formação, educação, intercâmbio e difusão de práticas de manejo sustentável dos recursos naturais da região do Alto Juruá.
Na ocasião ele anuncia a parceria com a Rede de Povos da Floresta, organização da sociedade civil que desenvolve ações de inclusão digital, de preservação ambiental e defesa dos povos tradicionais em cerca de 200 comunidades.
A parceria prevê o lançamento de 80 prêmios no valor de R$ 15 mil, cada um, para Povos da Floresta e Culturas Tradicionais. A idéia é apoiar comunidades que ainda não têm estrutura para se tornar Pontos de Cultura, disponibilizando recursos para o desenvolvimento de suas ações culturais. O projeto está em fase de elaboração e deve ser lançado ainda no segundo semestre deste ano.
Na tarde do dia 1º de maio o ministro Gil vai visitar o Ponto de Cultura Associação Ashaninka do Rio Amônia, na comunidade indígena Apiwtxa. A comunidade fica a aproximadamente 80Km de Marechal Thaumaturgo e 350km de Cruzeiro do Sul, nas proximidades do limite com a Reserva Extrativista do Alto Juruá e o assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Demarcada em 1992 pela Fundação Nacional do Índio (Funai), a aldeia abriga 400 habitantes, o que representa cerca de 80% dos ashaninkas brasileiros. No dia 2 de maio, encerra sua missão oficial na Região Norte, retornando ao Rio de Janeiro.
Mais Cultura
Lançado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o Programa Mais Cultura vai permitir investimentos de cerca de R$ 4,7 bilhões na Cultura brasileira nos próximos três anos.
O Programa é baseado num diagnóstico produzido pelo Ministério da Cultura em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo mostra que 87% dos brasileiros nunca foram ao cinema, 92% nunca estiveram num museu, 78% nunca assistiram a espetáculos de dança. Os dados também apontam que a população de baixa renda sacrifica cerca de 4% de seus orçamentos mensais para a cultura, o mesmo percentual destinado pelos mais ricos.
Para enfrentar essa realidade, o Programa Mais Cultura traz um modelo de gestão integrado e descentralizado, com o apoio de uma rede de parceiros públicos, privados e da sociedade civil, mobilizando não só o MinC, mas o conjunto do Governo Federal, além de estados e municípios brasileiros, para garantir mais acesso e condições para que a diversidade cultural brasileira possa se manifestar em sua plenitude.
O Programa dá prioridade para as 11 regiões metropolitanas com maior índice de violência, as regiões com baixos indicadores de saúde e de educação, os chamados ‘territórios de identidade’ - como os quilombos, as reservas indígenas e as comunidades artesanais -, e os ‘territórios especiais’ - como a Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco e o Semi-Árido.
Entre as ações previstas, está a criação e modernização de centenas de bibliotecas, de forma que nenhum município do país fique desprovido desses equipamentos. Serão implementados 20 mil Pontos de Cultura, que funcionarão como centros de produção e difusão cultural das comunidades brasileiras. Através dos Pontos de Cultura, por exemplo, comunidades indígenas passaram a ter condições de gravar seus CDs e vídeos, além de receberem recursos para potencializar suas atividades culturais.
Notícias da Amazônia (Por Michele Silveira, com MinC)




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