Assentados recebem incentivos para plantio de flores tropicais
abril 29, 2008
Pequenos produtores rurais do assentamento Dorcelina Folador, a 20 quilômetros do centro de Várzea Grande (MT), vão começar a plantar em seus próprios lotes graças à implantação de projeto de irrigação. “A nossa preocupação era a água que é o principal no plantio. Agora vamos ter irrigação nos lotes para produzir flores tropicais em nossas próprias áreas”, disse o pequeno produtor rural José Carlos da Silva, durante encontro com Luciana Lanzoni, coordenadora de Investimento Social do Instituto Sadia de Sustentabilidade, na última segunda-feira (28).
José Carlos vive no assentamento Dorcelina Folador, onde está sendo implantado o projeto-piloto de flores tropicais e folhagens, fruto de uma parceria do Sebrae em Mato Grosso, prefeitura municipal e Associação dos Pequenos Produtores Rurais do assentamento, que este ano recebe recursos do Instituto Sadia para uso em infra-estrutura e capacitação.
O projeto foi selecionado em uma chamada pública do Programa de Investimento Social Privado, estruturado em 2007. Os R$ 35 mil do repasse serão usados durante um ano na perfuração de poço artesiano e na implantação de um sistema de irrigação (gotejamento e micro aspersão) nos lotes dos assentados participantes do projeto. Além disso, em junho, os assentados irão participar de uma missão técnica à Hortitec, feira em Holambra (SP), que abrange a produção de flores, frutas e hortaliças.
José Carlos e outros cinco assentados participaram da reunião de acompanhamento do uso dos recursos com a técnica do Instituto Sadia, além de técnicos do Sebrae, incluindo o gestor do projeto, Aureliano da Cunha Pinheiro, e funcionários da Sadia que são voluntários do Instituto. Aureliano explica que os recursos estão dando estrutura para ampliar o plantio para os lotes dos assentados.
“Cada área tem meio hectare e vamos poder ampliar as variedades plantadas. Além disso, estamos levando para os lotes uma atividade que eles já têm conhecimento, uma vez que passaram por todas as etapas na área comum que já está produzindo há um ano”, ressalta, lembrando ainda que eles não usam produtos químicos, a atividade está voltada para a agricultura orgânica. “Eles estão fazendo também a recuperação da área porque aprenderam que a cultura só precisa de acompanhamento e pode ser trabalhada com o que cada tem dentro da sua propriedade”, completa.
O assentado José Carlos lembra que o plantio de flores, além de não agredir a natureza, está servindo para resgatar a família para o campo. Por falta de recursos e condições para sobreviver da terra, muitos filhos e até mulheres dos assentados migram para a cidade em busca de trabalho. Foi o que aconteceu com a família de José Carlos da Silva. “Passamos quatro anos pelejando na terra e não consegui nada, agora tenho esperança de trazer minha família de volta”, diz confiante, acrescentando que “as flores tropicais saem com vontade e isso me animou”.
O presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Assentamento Dorcelina Folador, Wilmar Alves Ferreira, diz que o projeto trouxe esperança de dias melhores. “Nossa expectativa é muito boa”, revela. O assentamento tem 33 famílias, cerca de 90 pessoas, das quais 26 fazem parte da Associação.
O grupo começou o projeto com o plantio em uma área comum de onde são feitas colheitas e vendas regulares das três variedades plantadas. “Nós vendemos semanalmente 200 hastes para um distribuidor em Cuiabá (MT), além dos pedidos extras que acontecem, especialmente dos decoradores”, conta Maria Edna, que é responsável pela área de comercialização da associação.
De fevereiro a dezembro de 2007, foram vendidas 14.675 hastes e alguns dos pequenos produtores tiveram renda superior a R$ 1 mil.
A técnica do Instituto Sadia explica que o programa tem apenas um ano e atende projetos em todo o País. O Instituto Sadia é uma organização social de interesse público (Oscip), fundada em dezembro de 2004 pela Sadia para contribuir com a promoção do desenvolvimento sustentável da sociedade.
Fonte: Agência Sebrae



