Pará vai exportar cacau orgânico

Enviada em 30 de abril de 2008 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Quatro cooperativas de produtores de cacau, da região da Transamazônica, oeste do Pará, receberam, em fevereiro deste ano, o selo do Instituto de Mercado Orgânico (IMO). Com esse certificado, 80 agricultores estão aptos a vender a produção para outros países. Atualmente o quilo do cacau comum é vendido, em Altamira, à R$ 4, já o orgânico chega a ter um acréscimo de R$ 2.Embora custem mais caro, os alimentos orgânicos são cada vez mais procurados pelos grandes mercados mundiais e também pelos consumidores, pois são mais nutritivos, saborosos e livres de agrotóxicos. Além disso, contemplam o uso saudável e racional do solo, da água, do ar e do meio ambiente.

O presidente da Cooperativa de Produtos Orgânicos da Amazônia, Coopoam, Darcírio Wronski, conta que ainda na primeira quinzena de maio, cerca de seis toneladas de amêndoas certificadas já serão comercializadas e, que praticamente toda a safra desse ano tem o mercado europeu como destino. A Coopoam congrega 25 agricultores familiares, que ano passado produziram 370 toneladas. Darcírio cultiva cacau há 27 anos e possui uma plantação, no município de Medicilândia, com 32 mil pés que produzem cerca de 20 toneladas por ano. Durante o período de verão, ele pulveriza cinco vezes na lavoura uma mistura de componentes naturais que contém banana, mamão, esterco e urina de gado, cinza, farinha de osso, folhas e água.

“Depois de 40 dias essa ‘calda biológica’ está fermentada e pronta para ser pulverizada na lavoura para fertilizar e ainda é um inseticida totalmente natural, relata Wronski.” Ele disse ainda, que é fundamental seguir as normas exigidas para permanecer com o selo e, que é preciso comprovar a origem da água utilizada e manter a área longe de qualquer tipo de lixo inorgânico, entre outras regras, pois há uma rigorosa fiscalização.

Outras sete cooperativas de produtores da região estão se adequando para também poderem exportar com o selo do IMO. Os municípios de Pacajá, Anapú e Uruará também produzem o cacau orgânico, que é uma espécie vegetal que atende a sustentabilidade ambiental e, além disso, pode ser cultivado juntamente com essências florestais. De acordo com o gerente da Secretaria de Estado de Agricultura, em Altamira, João Batista Uchôa, a produção orgânica, que já conta com o selo de reconhecimento internacional, é um grande avanço e que é prioridade do governo do estado investir na industrialização, para que o produtor tenha mais lucro e que seja garantido o fortalecimento da agricultura familiar.

“A conquista do selo é resultado do esforço conjunto da Sagri, da Ceplac, da Fundação Viver Produzir e Preservar (FVPP) e principalmente dos agricultores”, avalia uchôa.

Também em Medicilândia, Olívio Trzeciak, ligado à Coopoam, cultiva o cacau orgânico. Em sua propriedade há em média 110 mil pés de cacau que produzem 70 toneladas anualmente. O produtor adotou o orgânico por que considera uma questão de respeito tanta para a natureza, quanto para a saúde e a vida humana. A manutenção, podas, limpeza da lavoura e colheita são feitas por 20 famílias e, cada uma tem uma renda mensal superior a mil reais.

Em 2007, ele vendeu 24 toneladas, ainda em conversão para o orgânico, e obteve um ganho de R$ 18 mil, pois recebeu R$ 0,80 a mais pelo quilo. Olívio é paranaense e veio para a Transamazônica, em 1977, desde esse período cultiva o cacau. Ele ainda cria bovinos, mas diz que os frutos são mais lucrativos, embora, necessitam de mais cuidado e mão-de-obra. “Vou continuar plantando cacau, pois gera emprego e ainda contribui para distribuir melhor a renda”, enfatiza Trzeciak.

Fonte: Agência Pará

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