Amazonas prepara plano nutricional para crianças com até 5 anos

Enviada em 6 de outubro de 2007 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Manaus - Os resultados da avaliação nutricional realizada no estado em 2006 pela Secretaria de Saúde e pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome começaram a ser apresentados em encontro iniciado hoje (10). Da avaliação, em 43 municípios, participaram 4.646 crianças com até 5 anos de idade, das quais 2.241 da capital e 2.405 do interior.

Aspectos relacionados à escolaridade dos pais e responsáveis, aleitamento materno, peso e estatura, estão entre os itens avaliados. E os resultados apontam casos de desnutrição e a evidência de que as crianças amazonenses encontram-se em uma situação de risco nutricional que pode comprometer sua saúde e qualidade de vida.

“Esse risco nutricional não é só pela falta do alimento, mas também pela falta de conhecimento sobre os valores nutricionais. Como se justifica baixo peso em crianças onde se pode encontrar a castanha, o tucumã, a pupunha, a mandioca, típicos da região? No encontro nós discutiremos os fatores determinantes para essa situação: outros setores devem participar, e não só o de saúde, onde se identifica o problema. Fatores como o analfabetismo da mãe triplicam o risco de desnutrição entre as crianças”, avalia a coordenadora da área técnica e promoção à saúde da secretaria, Ester Mourão.

Já a diretora interina de Avaliação e Monitoramento do ministério, Leonor Santos, destacou as diferenças entre as crianças que vivem na capital e as que vivem no interior. Estas, segundo ela, precisam de uma atenção maior por parte do poder público e da sociedade de um modo geral.

“Na capital, por exemplo, encontramos 8,5% das crianças com um retardo no crescimento, que é um dos indicadores de desnutrição crônica, enquanto no interior o percentual sobe a 15,8%. Isso aponta aos gestores que o plano e toda a atividade decorrente dele devem dar atenção especial às crianças com indicadores mais desfavoráveis”, informou.

Ela lembrou a dificuldade de acesso a vários municípios amazonenses e alertou: “É preciso que o Brasil como um todo assuma esse desafio de que a Região Norte precisa de uma atenção especial”.

Para a nutricionista Gissélie Machado, que atua no município de Careiro da Várzea, é possível reverter o atual quadro com o uso de “frutas típicas da região e ricas em nutrientes, além de palestras educativas para pais e responsáveis”. Ela explicou seu trabalho com alimentos regionais e informou que nas palestras fala sobre a importância das vitaminas nesses alimentos. “Em nossa comunidade, muitos ainda acreditam que boa alimentação é aquela que é cara e difícil de encontrar por lá, como pera e uva. Mas nós sempre mostramos a eles que o açaí e o tucumã, por exemplo, também têm proteínas e vitaminas”, completou.

Amanhã (11), no segundo dia do encontro, será apresentado o Plano de Ação para 2008, que prevê metas a curto, médio e longo prazo para o crescimento e o desenvolvimento das crianças do Amazonas.

“Pela primeira vez, chegamos a uma pesquisa representativa do estado. É preciso uma atenção maior, criar oportunidades de trabalho e renda. O resultado da desnutrição na criança é da sociedade como um todo, do acesso à renda, à educação. Por isso é preciso mobilização das secretarias afins, como as de Atenção à Saúde, de Assistência Social e de Desenvolvimento Agrário”, sugeriu a diretora do ministério.

Fonte: Agência Brasil