Belo Monte será leiloada em 2009

Enviada em 31 de agosto de 2008 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

O  presidente da Eletronorte, Jorge Palmeira, é categórico: a usina de Belo Monte, no rio Xingu, vai mesmo a leilão em 2009. Com o Estudo de Impacto Ambiental concluído até outubro deste ano, chega ao fim uma espera que se estende por quase duas décadas. Segundo a reportagem se sonia Zaghetto, publicada na edição deste domingo do DIÁRIO DO PARÁ, a expectativa é que em 2012 esteja instalada, em território paraense, a maior hidrelétrica inteiramente nacional, capaz de gerar 11 mil MW e que consumirá R$ 7 bilhões para ser construída.

Há muito tempo Belo Monte está na mira de vários setores - ONGs, empreiteiras, ambientalistas, grupos religiosos e movimentos sociais. O empreendimento, embargado há vários anos, atraiu a atenção internacional em junho passado, quando o engenheiro Paulo Fernando Rezende, da Eletrobrás, foi atacado a golpes de facão por um grupo de índios Kayapó contrários à construção da usina.

Nos últimos meses, o governo federal decidiu trabalhar nos bastidores para superar as dificuldades que há décadas entravam a obra agora incluída no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Há razões de sobra para o empenho: estudos apontam que, sem Belo Monte no sistema interligado, se o PIB brasileiro crescer 4% ao ano será preciso agregar pelo menos 6% de aumento de energia anualmente, o que corresponde a 6 mil MW. Significa dizer que a cada ano o país precisaria de uma nova usina do tamanho de Belo Monte.

Leilão foi anunciado por Dilma Roussef

Alguns sinais de que o governo se movimentava para liberar a usina já eram perceptíveis. Primeiro foi o novo inventário da usina, que aperfeiçoou o projeto, apresentou uma relação potência instalada versus área inundada que é a mais compensadora da história da hidreletricidade no país, considerou o impacto sobre as terras indígenas e carimbou: das seis hidrelétricas que poderiam ser construídas no Xingu, somente Belo Monte continuava no páreo. A usina de São Félix foi descartada porque inundaria terras dos Kayapó; Pombal foi excluída porque alagaria a cidade de São Félix do Xingu e a usina de Altamira também inundaria áreas indígenas.

Recentemente, outra medida de peso surgiu: uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) - órgão máximo do setor elétrico, que reúne ministérios como Fazenda, Planejamento e Minas e Energia - ratificou a conclusão do inventário ao estabelecer Belo Monte como a única usina a ser construída no rio Xingu.

Mas foi há duas semanas, durante a visita do presidente Lula ao Pará, que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, rompeu a barreira do silêncio sobre a usina. Declarou, publicamente, que Belo Monte seria leiloada logo após as duas hidrelétricas do rio Madeira.

O presidente da Eletronorte confirmou ao DIÁRIO que o governo federal está superando os últimos obstáculos para a licitação da hidrelétrica. “Não existe mais nenhum óbice. Os estudos ambientais têm previsão para este ano. A princípio, em outubro, já estarão concluídos. E a questão indígena já está sendo equacionada”, revela.

Equacionar a questão indígena traduz-se como visitas de técnicos do governo às aldeias Kayapó. A missão: esclarecer os índios, principalmente os que vivem na montante de Altamira, sobre os boatos de que outras usinas seriam construídas no Xingu. Segundo Palmeira, os Kayapó haviam recebido informações deturpadas: “Soubemos que algumas ONGs estrangeiras estavam indo às aldeias e dizendo aos índios que, após Belo Monte, outros aproveitamentos seriam construídos e isso levaria ao alagamento das aldeias, à perda das terras e à mudança para um lugar menor, uma espécie de vila. Então, a Eletronorte levou as informações corretas e a receptividade dos índios foi bastante positiva”, informou.

Fonte: Diário do Pará