Belém é a capital da arqueologia amazônica

setembro 2, 2008

Museu Goeldi e parceiros nacionais e locais realizam evento para revelar resultados de pesquisas sobre a complexidade das sociedades amazônicas em distintos períodos da Pré-história e da História

Para discutir a pesquisa arqueológica na região amazônica, reúnem-se em Belém, a partir da terça-feira, dia 2, especialistas brasileiros e de outras nacionalidades. Eles vêm apresentar investigações representativas do estado da arte da arqueologia durante o I Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica, que acontece até o dia 5 de setembro. O evento receberá 300 participantes no Teatro Maria Sylvia Nunes da Estação das Docas à beira da Baía do Guajará.

Se desde o final do século XIX de estudos arqueológicos na Amazônia, o Museu Goeldi – referência mundial na área – se dedicou a pesquisar uma variedade de temáticas e contribui de forma sistemática para a construção de conhecimento nas áreas, será no Encontro Internacional, a oportunidade principal para mostrar o que de mais atual se faz na região sobre esse assunto, essencial para compreender o passado da região.

São doze grandes temas de pesquisa distribuídos em sessões que abordarão processos de povoamento antigo, ocupação histórica e pré-histórica tanto na Costa como no interior, além de estudos genéticos revelam padrões de sociabilidade e a diversidade dos povos da Amazônia. “Povoamento antigo da Amazônia: contextos e processos”, “ Ocupação em sítios arqueológicos históricos e pré-históricos registrados no litoral amazônico” e “Populações Humanas na Amazônia”, três das sessões programadas, trazem especialistas que esclarecem e revelam aspectos do elemento humano na paisagem regional.

As mudanças climáticas, a domesticação de plantas, o manejo de ecossistemas e a transformação da paisagem pela interferência humana são temas de estudos a serem apresentados durante o evento. A tônica dessas pesquisas é a da interdisciplinaridade. Arqueologia; Lingüística Histórica; Etnobotânica - ciência, que estuda as interações entre pessoas e plantas em sistemas dinâmicos e revela as aplicações e os usos tradicionais dos vegetais pelo gênero humano - ; Paleoecologia - ramo da Paleontologia que visa o entendimento das relações entre os organismos antigos e seus ambientes -; e Biogeografia – distribuição geográfica dos seres vivos –; se propõem a, através de esforços conjuntos, responder questões como: Há dados comuns em estudos dessas disciplinas para esclarecer o que aconteceu na região no Holoceno - período do tempo geológico iniciado há 11.500 anos e que se estende até o presente? Até onde as paisagens são naturais ou resultantes de processos de seleção cultural, para o quel o elemento de influência maior é a espécie humana?

A arte – na pedra, nas representações cerâmicas, nos ícones –, a arqueologia histórica nas cidades e a educação patrimonial também são temas-alvo de estudos da Arqueologia e que serão discutidos no Encontro de Belém. A arte pré-histórica é instrumental para revelar aspectos das sociedades indígenas pré-coloniais. Já os estudos urbanos permitem reconstituir trajetórias de ocupação em tempos mais recentes como o Período Colonial. Em sua vertente de presevação da identidade cultural, a educação patrimonial enquanto metodologia se propõe a valorizar a cultura local através do envolvimento de cidadãos no reconhecimento de suas raízes nos mais diversos rincões da Amazônia.

Novas abordagens para a pesquisa arqueológica, a complexidade social nas sociedades amazônicas e a arqueologia feita nos países da Pan-Amazônia são outras das temáticas a serem abordadas nas mesas comnpostas por especialistas nacionais e internacionais.

Exposição – Para além das palestras, o evento vai mostrar, ao público, a riqueza e a diversidade do patrimônio arqueológico da região amazônica, sua importância para a história do país e chamar a atenção para o risco de destruição que esse patrimônico vem sofrendo. A exposição “Patrimônio Arqueológico da Amazônia” tem quatro módulos que abordam temas como diversidade cultural, legislação de proteção ao patrimônio arqueológico, registros fotográficos da destruição de sítios arqueológicos e ações educativas que  orientam para à preservação. A mostra abre no dia 2, às 19h e fica aberta ao público visitante da Estação das Docas, no período até 14 de setembro.  Lá peças arqueológicas do acervo do Museu Goeldi estarão em exibição.

O Encontro Internacional é uma parceria do Museu Goeldi com o Iphan e a Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult), e conta com o patrocínio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará (Fapespa) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); e o apoio da Petrobras.

Confira o quadro com datas e horários.

Os detalhes da programação completa você encontra no site do evento.

Serviço: I Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica, acontece de 2 a 5 de setembro de 2008, na Estação das Docas. Mais informações no Portal do Museu Goeldi.

Fonte: MPEG