Catraiada: competição histórica na programação do aniversário de Rio Branco
dezembro 26, 2007
A profissão é antiga, mas não perdeu a sua importância e utilidade nos dias atuais. Faz parte da história do Acre e de Rio Branco. Este ano, a Catraiada foi incluída na programação de 125 anos do aniversário de Rio Branco e integra o projeto Esporte Nos Barrancos do Rio Acre, aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. A corrida começa às 9 horas desta sexta-feira, 28. A largada será no Porto da Gameleira e a chegada na Passarela Joaquim Macedo. A categoria é individual, todo e qualquer catraieiro pode participar.
“Estamos indo atrás dos catraieiros, convidando-os a participar. Queremos colocar no mínimo dez na competição”, diz Rubiscley Maia, um dos responsáveis pelo projeto. “Eles adoram a atividade, principalmente pela premiação. Estamos estudando a possibilidade de fazer uma categoria feminina, afinal, temos três catraieiras e já convencemos duas a participar”, completa.
Depois de muitos anos sem acontecer, o Governo do Estado voltou a incentivar esse esporte popular que aos poucos vem retomando sua antiga força. Em 2005 e 2006, novas atividades foram adicionadas, como futebol e vôlei de areia e campeonato de peteca de pena, o que envolveu também amigos e familiares dos catraieiros.
“Por ser uma cidade dividida ao meio pelo rio Acre, o meio de transporte que mais se popularizou foi a catraia. Muito antes de circularem ônibus, as catraias já faziam a travessia entre os dois lados da cidade”, explica o historiador Marcos Vinícius. Segundo ele, existia até uma catraia pública, popularmente conhecida como Jabuti, por sua proverbial lentidão. “Mas era de graça, e isso era o mais importante para aqueles que não tinham dinheiro para pagar a passagem”, diz o historiador.
Em datas festivas, como 7 de setembro era comum a realização de catraiadas. “Os barrancos do rio ficavam lotados de pessoas torcendo pelo catraieiro de sua preferência. Eram os anos 40 e 50, quando ainda nem havia estradas ligando o Acre ao resto do país”, conta Marcos Vinícius. Eliel Lopes, 22, é catraieiro há seis anos e foi o vencedor da catraiada que aconteceu no ano passado. “É preciso ter paciência e concentração”, diz ele. Quanto aos balseiros, Lopes diz que tira de letra. Ele conta ainda que expectativa para a competição cresce ao passar dos dias. “Na semana da atividade, o pessoal já começa a se esforçar mais e combinar algum treino, todo mundo se envolve”.
As inscrições para a Catraiada podem ser feitas no Parque Capitão Ciríaco, no departamento de Desporto e Lazer; na Fundação Elias Mansour, no departamento da Lei de Incentivo à Cultura ou no dia e no local da competição. Todos os participantes receberão medalhas e camisetas. Os três primeiros colocados também ganharão troféus.
Fonte: Agência de Notícias do Acre



