Macapá na Sapucaí

dezembro 27, 2007

Com uma seqüência impressionante de títulos, a Beija-Flor está sempre entre as favoritas do carnaval carioca. A atual campeã, que falou da África no desfile deste ano, promete contar no ano que vem a história de Macapá. Pelo segundo ano seguido fazendo parte da comissão de carnaval, está Alexandre Louzada.

Clique aqui para assitir a reportagem
RJTV: Macapá rende enredo para uma escola de samba do porte da Beija-Flor ou é só uma maneira de falar da Amazônia?

Alexandre Louzada: Há grandes histórias para serem contadas a respeito de Macapá e Amapá. A começar pelas coincidências: a nossa escola tem como símbolo um beija-flor e o Amapá tem um beija-flor como mais ilustre membro de sua fauna natural. E Macapá está completando 250 anos no dia em que a Beija-Flor vai desfilar. Vamos mostrar a Serra do Navio. O beija-flor topaza pella mora lá, ele é conhecido como brilho de fogo. É um lugar muito bonito. Há também a Bacabeira, que deu origem ao nome da cidade de Macapá, temos a cerâmica cunani-maracá, de uma civilização que floresceu há 12 mil anos. Foi achada a fortaleza de São José de Macapá, o marco da fundação da cidade, em forma de estrela, talvez a fortaleza mais bem preservada de toda a América Latina. Há o Marco Zero, que divide o Hemisfério Norte do Hemisfério Sul. De um lado a água gira ao contrário, no sentido anti-horário, e do outro, no sentido horário

Quantas viagens você e a comissão de carnaval tiveram que fazer ao Macapá para conhecer tão bem toda essa história?

Até agora foram oito viagens que não se resumiram só à cidade de Macapá. Eu viajei pelo estado, por rios, conheci a pororoca. Aliás, há um campeonato de surfe na pororoca que é muito interessante.

Como transformar tudo isso em enredo, através das fantasias? Que fantasia você escolheu para mostrar para a gente?

A fantasia da baiana, que representa essa civilização que floresceu no Amapá 12 mil anos atrás, vinda do Oriente, e que nos legou essa cerâmica cunani-maracá, que deu origem à famosa cerâmica marajoara.

O tom de cerâmica se repete na fantasia?

São dois tipos de barro, o branco e o vermelho, que caracterizam essa cerâmica cunani, que nossa baiana vai representar.

Os próprios compositores reconhecem que foi difícil fazer essa letra de samba. E eles só conseguiram fazer realmente a música depois de sete longas reuniões. Nós conversamos com Cláudio Russo, um dos autores, que já foi campeão em várias escolas.

RJTV: De todos os estudos que você teve que fazer para escrever esse samba, todas as leituras, que história te chamou mais atenção?

Cláudio Russo: Desse grande universo de histórias que a Beija-Flor vem contar sobre o Amapá eu destaco a história de Mazagão, uma cidade marroquina transportada para o Amapá, para o meio da floresta, a mando de Marquês de Pombal, que depois se tornou alicerce cultural na formação do povo amapaense.

Todos os moradores dessa cidade chegaram ao meio da Amazônia?

Alexandre Louzada: E seus escravos com a reminiscência de suas culturas, fundando uma cidade com mesmo nome no interior da floresta. E isso influenciou na nossa cultural, hoje podemos dizer que temos uma descendência mourisca na nossa raiz cultural.

Beija-Flor de Nilópolis
Enredo: “Macapaba: equinócio solar, viagens fantásticas ao meio do mundo”
Carnavalescos: Comissão de carnaval (Laíla, Alexandre Louzada, Fran Sérgio e Ubiratan Silva)
Compositores: Cláudio Russo, Carlinhos Detran, J. Velloso, Gilson Doutor, Kid e Marquinhos

É manhã, brilho de fogo sob o sol do novo dia
Meu talismã, a minha fonte de energia
Oh, deusa do meu samba, a flor de Macapá
No manto azul da fantasia
Me faz mais forte, extremo norte
A luz solar ilumina meu interior
Vou viajar na linha do Equador
Emana ao meio do mundo a beleza
A força da mãe natureza é Macapaba
O rio beijando o mar
Encontro das águas marejando o meu olhar

Quem foi, meu Deus, que fez do barro poema
Quem fez meu criador se orgulhar
Os Cunanis, Alistés, Maracás
Foram dez, foram mais pelo Amapá

Um dia navegando nos rios de Tupan
A viagem fantasia dos filhos de Canaã
A mágica da terra a cobiça atraiu
Ibéria se enleva no Brasil
A mão de Ianejar na fortaleza pela proteção da vida
Em São José de Macapá
Brilha Mairi a minha estrela preferida
Herança moura em Mazagão
Retiro o meu chapéu de bamba e assim
O Marabaixo ao Marco Zero cai no samba
Soam tambores no tocar do tamborim

O meu valor me faz brilhar
Iluminar o meu estado de amor
Comunidade impõe respeito
Bate no peito eu sou Beija-Flor

Fonte: Portal G1