Fiscais libertam mais 150 trabalhadores no Pará
setembro 30, 2008
Cerca de 150 trabalhadores foram encontrados em regime de semi-escravidão no município de Placas, no Baixo Amazonas. O chefe de Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), José Ribamar, disse que as condições de trabalho eram péssimas. ‘Eles trabalhavam em meio aos riscos que animais como cobras, escorpiões e aranha macaca representam na floresta. Sem receber qualquer remuneração. A alimentação precária era baseada em arroz. Um trabalhador chegou a relatar que passou 12 dias comendo arroz com abóbora’, afirmou José Ribamar.
Morando em barracos construídos com palha, madeira ou até mesmo plásticos com madeira e alimentação precária, os trabalhadores faziam a poda de cacau e a colheita, em um acordo firmado para ser uma parceria, os trabalhadores já começavam a trabalhar devendo a empresa ‘Perfil Agroindústria Cacaueira Ltda’.
Na parceria, eles trabalhavam sem nenhum vínculo empregatício. Recebiam logo de início o maquinário que iriam precisar para ser pago com a produção do cacau, mas nunca conseguiam pagar. ‘Muitos trabalhadores disseram que os que não pagavam eram ameaçados de morte’, afirmou o chefe de fiscalização do MTE.
Do total dos 150 trabalhadores, 30 eram crianças na faixa etária de 4 à 10 anos, a maioria estava doente. As crianças eram levadas pelos pais na tentativa de ajudar a quitar as dívidas da família com a empresa. ‘Os pais das crianças nos informaram que elas eram levadas ao trabalho para aumentar a remuneração’, relatou José Ribamar.
PRISÃO
O adminstrador da empresa, Agenor dos Santos, foi preso em flagrante por porte ilegal de armas e responderá por diversos crimes como não pagamento dos salários e falta de registro da firma. Já o proprietário da empresa Agenilson José dos Santos, não foi encontrado para prestar esclarecimentos. Também foi enviado pela Superintendência Regional do Trabalho apoio aos 150 trabalhadores e em especial as 30 crianças. Que vão receber cerca de R$ 600 mil de indenização, inclusive as crianças.
Fonte: O Liberal



