Embrapa lança zoneamento de risco de morte do braquiarão

Enviada em 31 de outubro de 2008 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Na quinta-feira (30), a Embrapa lançou em Belém (PA), o Zoneamento de Risco Edáfico de Ocorrência da Síndrome da Morte do Braquiarão nas Áreas Antropizadas da Amazônia Legal. O lançamento faz parte da programação do Encontro Internacional da Pecuária da Amazônia (Amazonpec), que começa hoje e se estende até domingo, dia 2 de novembro.

A metodologia empregada na realização do mapeamento das pastagens foi desenvolvida e validada pela Embrapa Acre, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e está sendo aplicada a todos os Estados da região amazônica.

A Amazônia Legal possui cerca de 56 milhões de hectares ocupados com pastagens cultivadas com forrageiras. Considerada uma das principais causas de degradação de pastagens na região, a Síndrome da Morte do Braquiarão ocorre principalmente na época das chuvas, em solos com baixa permeabilidade.

A doença causa a perda da capacidade de suporte dos pastos e a redução da produtividade do rebanho, resultando em sérios prejuízos para os produtores. Na década de 90, a Embrapa Acre pesquisou as causas, caracterização e conseqüências do problema e identificou as áreas de risco do Estado.

Uma parceria entre diversas unidades vem permitindo mapear as áreas de incidência na Amazônia, identificando os níveis de risco (baixo, médio e alto) em cada Estado. “O Acre já conhece as proporções do problema e vem adotando alternativas tecnológicas para a sua solução, com resultados significativos. O Pará é o segundo Estado a dispor destas informações, cujo mapa de risco também será lançado durante o Amazonpec. Até meados de 2009 serão concluídos os mapas dos demais Estados amazônicos”, afirma o pesquisador Carlos Maurício de Andrade, um dos responsáveis pela pesquisa.

Caráter preventivo

A metodologia utilizada na elaboração do zoneamento de risco edáfico de ocorrência da morte do braquiarão na Amazônia é resultado da interpretação de características de solos relacionadas à baixa permeabilidade e excesso de água, com base nas pesquisas realizadas no Acre e em informações dos mapas pedológicos da região.

Segundo o pesquisador Celso Manzatto, da Embrapa Solos, uma das unidades parceiras na pesquisa, o trabalho possibilitará uma melhor orientação aos produtores sobre a seleção e implantação de variedades de capim mais adequadas às características dos solos amazônicos, com ganho de produtividade e redução de custos.

Andrade acredita que o mapa de risco edáfico ajuda a aguçar o nível de percepção do problema, por isto, representa uma ferramenta eficiente de apoio tanto para produtores como para instituições governamentais na formulação de estratégias de pesquisa e transferência de tecnologia, visando o desenvolvimento sustentável das cadeias produtivas da pecuária na região.

O estudo das áreas de risco tem um caráter preventivo, conforme explica o pesquisador Judson Valentim, chefe geral da Embrapa Acre. “Conhecendo as áreas de incidência e detectando o problema em sua fase inicial, produtores do Acre substituíram gradualmente este capim por espécies de gramíneas melhor adaptadas às condições ambientais da região”.

De acordo com Valentim, em oito anos a pesquisa contribuiu para evitar o desmatamento de milhares de hectares de floresta e permitiu recuperar mais de 100.000 hectares de pastagens degradadas no Acre. A idéia é fazer com que estes resultados se tornem realidade também em outros Estados. 

Na sua avaliação, a iniciativa mostra como a integração entre as unidades da Embrapa e outras instituições é importante para fazer a ciência gerar produtos que auxiliem a tomada de decisões tanto por parte dos formuladores de políticas públicas como pelo setor privado, visando reduzir os riscos econômicos e ambientais, e aumentar a rentabilidade, produtividade e sustentabilidade dos sistemas de produção agropecuários.

Amazonpec

Explorando a temática “Meio Ambiente e Pecuária” a primeira edição do Amazonpec reúne pesquisadores, professores, técnicos, formuladores de políticas públicas, empresários e produtores para discutir e propor soluções para a expansão da pecuária na Amazônia, com foco no desenvolvimento sustentável.

Uma vasta programação inclui palestras, seminários e cursos de capacitação sobre pecuária de leite e corte, bubalinocultura, ovinocaprinocultura, suinocultura e outros segmentos da pecuária regional, além de oferecer inúmeras oportunidades de negócios. O Zoneamento de Risco Edáfico de Ocorrência da Síndrome da Morte do Braquiarão está entre as principais novidades tecnológicas do evento.

A promoção é da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Pará, em parceria com o Governo do Estado do Pará, Sebrae/PA, Embrapa e Instituto Frutal entre instituições ligadas ao agronegócio da região.

Mais informações:
Pesquisador Carlos Maurício S. de Andrade
mauricio@cpafac.embrapa.br
Embrapa Acre
(68) 3212-3237
Diva Gonçalves
diva@cpafac.embrapa.br
Embrapa Acre
(68) 3212-3272

Fonte: Embrapa