Moradores de Tucuruí desocupam Eletronorte após acordo

Enviada em 31 de outubro de 2008 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Moradores de duas comunidades localizadas nos municípios de Novo Repartimento e Goianésia (Bases 3 e 4), no sudeste do Pará, desocuparam na manhã desta sexta-feira (31) o estacionamento da Eletronorte, em Tucuruí.

Em reunião realizada nesta quinta-feira (30), ficou determinado que a assinatura dos termos de acordo para o pagamento das indenizações ocorrerá no dia 1º de dezembro e a Eletronorte terá até 30 dias para começar a pagar. A ocupação já durava 14 dias.

De acordo com Ismael Rodrigues, representante dos moradores na região, a saída se deve ao fato do Estado ter participado das negociações. “Nós não acreditamos na empresa e sim no Estado. A Casa Civil se responsabilizou em fazer com que a Eletronorte cumpra o pagamento das indenizações até o final de dezembro”, avalia o representante.

Em nota a assessoria da Eletronorte informou que a empresa entrou em acordo com os moradores das Bases 3 e 4, durante reunião realizada na tarde desta quinta-feira e que a Empresa se comprometeu com prazos para concluir levantamento, cadastramento e indenização das famílias que moram na área de proteção ambiental, denominada Zona de Preservação da Vida Silvestre (ZPVS).

Ainda segundo a assessoria, foi agendada uma reunião para segunda-feira (3) para definir a relação de moradores a serem contemplados no processo de indenização. Este ano está previsto o estabelecimento e assinatura do termo de acordo amigável com os moradores das Bases 3 e 4.

Histórico de ocupações

Essa é a segunda ocupação que o grupo fez na Eletronorte em 2008. A área em que habitavam foi transformada em Zona de Preservação da Vida Silvestre em 27 de janeiro de 2004, através de uma portaria da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).

O representante dos moradores Ismael Rodrigues afirmou que a transformação dos locais em ZPVS causou prejuízos para os moradores. “Nós ficamos proibidos de plantar, de pescar. Nossa situação é parecida com um cativeiro de guerrilha, sofremos muitas necessidades. Inclusive muitos moradores estão doentes, alguns morreram por se alimentar mal, já que não podemos cultivar”, contou Ismael.

Fonte: Portal ORM