Artesanato chama atenção de visitantes em Cuiabá
novembro 14, 2008
Peças produzidas com lixo, material reciclado, resíduos da cana-de-açúcar e sementes da Amazônia fazem sucesso no evento promovido pelo Sebrae na capital mato-grossense
Cuiabá/MT - “Na mão de cada um de nós existe uma solução para os problemas ambientais”. A frase, dita pela artesã cuiabana Maria José de Souza Ferreira, durante oficina de reciclagem, parece resumir o espírito do Espaço do Artesanato montado na Expo Brasil, feira que termina nesta sexta-feira, em Cuiabá. O local reúne produtos de 23 núcleos de artesãos de Mato Grosso, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.
Nos estandes, há peças que surpreendem pela criatividade, ousadia e utilização de resíduos sólidos poluidores que certamente iriam para o lixo. Alguns exemplos são as luminárias da Associação Mato Forte de Desenvolvimento e Responsabilidade Social, feitas com materiais como tampas de garrafas pet, fios plásticos de cadeiras e fundos de copos.
Ou as borboletas da artesã Sivestrina Bastos de Freitas, conhecida como Dona Veta, feitas em lata de alumínio que parecem “voar” com suas asas coloridas. Da mesma lata, ela faz pássaros pantaneiros, móbiles, guirlandas natalinas, brincos e cintos, que garantem à aposentada renda extra de R$ 2 mil por mês.
No mesmo estande, o Núcleo Mulheres de Fibra, de Nova Olímpia (MT), expõe graciosos anjos, guirlandas, luminárias, minivasos e flores, tudo feito em papel artesanal de bagaço de cana-de-açúcar de uma usina da cidade.
É a partir do lixo também que os integrantes da Associação Mato-grossense de Produtos Artesanais (Ampa) tiram sua matéria-prima e transformam lâmpadas e outros vidros quebrados em novos objetos decorativos, utilitários e de uso pessoal, jornal em chapéus, bolsas e bichos do pantanal.
Os artesãos do bairro Renascer, que trazem consigo a marca da luta pela moradia, expõem peças da coleção Nossa História, composta de almofadas, caixas, bijuterias, brindes corporativos, graciosos cartões, feitos com filtros de café e bordados à mão que contam um pouco do cotidiano e da trajetória dessa gente que vem conquistando o mercado com produtos cheios de imaginação.
A Cooperativa Graça e Arte transforma garrafas PET em fibras que enchem coloridas almofadas cuja temática é centrada na cultura popular cuiabana e retratam a viola-de-cocho, instrumento símbolo do Siriri (dança típica regional). A cultura cuiabana é também a marca da coleção Kuyaverá, criada pela Ampa com peças utilitárias e decorativas bordadas à mão.
A costura e a tecelagem são um viés forte na produção artesanal local. Estão presentes nas peças do Núcleo Cooperativo Dom & Arte, de Dom Aquino, cuja coleção Amigo Bicho com animais feitos em tecido ganha mais dois integrantes de peso, a ararajuba e a galinha d’angola.
O algodão também está presente na produção da Fibra Nativa de Rondonópolis, que reúne 23 cooperadas que produzem mantas, chalés, echarpes, tapetes, bolsas, jogos americanos, colchas e muito mais. Em teares manuais, elas compõem sua história fio a fio, enquanto tecem bons negócios.
Direto da natureza
Enquanto muitos artesãos utilizam resíduos produzidos pelo homem, outros se valem dos recursos da própria natureza. É o caso dos ceramistas do São Gonçalo Beira Rio, de Cuiabá, que transformam o barro em peças únicas. Cleide Rodrigues é uma delas. Sua “família” de galinhas d’angola não pára de crescer e o animal doméstico que cisca pelos quintais do bairro às margens do Rio Cuiabá aparece em múltiplas versões.
Já os artesãos do Portal da Amazônia enveredam pela floresta em busca de sementes, cascas, cipós, fibras. A comunidade Rochedo, de Novo Mundo, composta por 11 artesãos, produz biojóias a partir da grande variedade de sementes da região. O casal Maria e João Piva tece a fibra de patauá, uma espécie de coqueiro abundante na região, e a transforma em jogos americanos, cestos cachepôs, luminárias e outros produtos.
Serviço:
Sebrae/MT - (65) 3648-1200
Fonte: Agência Sebrae de Nótícias



