Pontos de Cultura da Amazônia participam da Teia Brasília 2008
novembro 15, 2008
Evento reúne mais de 800 Pontos de Cultura de todo país e vai até domingo, 16, na capital
Desde a última quarta-feira (12) acontece a Teia Brasília, um encontro nacional dos Pontos de Cultura, iniciativa que integra o Programa Cultura Viva, desenvolvido pela Secretaria de Programas e Projetos Culturais do Ministério da Cultura (SPPC/MinC). A Teia Brasília 2008 está ocupando vários espaços culturais da cidade, reunindo integrantes de mais de 800 instituições de todas as regiões do país, até o próximo domingo (dia 16).
Neste ano o tema é “Direitos Humanos: Iguais na Diferença”. A programação desses cinco dias conta com uma série de manifestações artístico-culturais e espetáculos a serem apresentados pelos Pontos de Cultura e de um cortejo cultural pela Esplanada dos Ministérios, além da realização do II Fórum Nacional dos Pontos de Cultura
No primeiro dia do evento, Pontos de Cultura do Maranhão e do Pará já mostraram a diversidade cultural brasileira. O primeiro a se apresentar foi o Ponto de Cultura Laborarte, do Maranhão, que levou para o palco a dança do Cacuriá, com a Dona Teté com fitas multicoloridas, brilhos, batuques e coreografias insinuantes.
Em cima do palco, Almerice Santos, mais conhecida como Dona Teté, tocava o tambor do Divino e entoava canções observando a dança sensual que acontecia no chão. Empolgado, o público vibra com os dançarinos e acompanha cada movimento das saias que giram suas rendas combinadas com os fitilhos das calças dos homens. Termina a apresentação. Alguns dos “filhos” levam Dona Teté sentar e, então, ela conta um pouco da sua história com o cacuriá. Segundo ela, uma mulher da comunidade -cansada só da Quadrilha e do Boi Bumbá– falou para Seu Laudo inventar uma dança nova. Seu Laudo, então, passou um tempo no interior do Maranhão e voltou com o cacuriá, mas não explicou o significado do nome.
A união dos tambores do Divino e da dança em formato de roda fizeram o cacuriá. No entanto, em seu início, na década de 1970, tudo era mais recatado. “Seu Laudo dizia que eu tinha esquentado o saco do cacuriá”, diz Dona Teté. Na época, as moças usavam um vestido mais “comportado”, mas, com o passar dos anos, puderam deixar o colo, a barriga e as pernas à vista. Passados mais de 30 anos, Dona Teté ainda perpetua a invenção de Seu Laudo.
Para ela, a importância de participar com o seu cacuriá na Teia 2008 é “poder conhecer outras pessoas, ensiná-las e aprender com elas”. Aos 84 anos, a maranhense completa: “Aprendi também que tem homem bonito pra ver nesse lugar”.
“Eu sou um Ponto de Cultura”
Vindo do oeste do Pará, do Ponto de Cultura do Xingu, o delegado Zhumar fez sua saudação de boas-vindas aos participantes em forma de poesia, que já fora apresentada na edição do fórum paraense - ocorrido nos dias 17 e 18 de outubro. Para a edição nacional, ele acrescentou mais versos a “Eu sou um Ponto de Cultura”, afim de deixá-lo mais com “a cara do evento”. “Fiz a poesia há um tempo e inseri mais umas partes hoje (ontem) mesmo, antes do Fórum começar”, disse Zhumar.
Integrante da Fundação Tocaia, que atua na região da Transamazônica e Xingu, o poeta e ativista cultural vai participar do GT Amazônico para compartilhar as experiências que seu Ponto de Cultura tem em relação à educação ambiental. “Todos os Pontos da região Norte levam a questão amazônica para dentro das suas ações culturais. É um componente importante”, enfatizou.
Para o artista, que é responsável pela articulação e mobilização do seu grupo, a Teia 2008 é necessária porque mostra o “emponderamento da sociedade organizada a partir do encantamento pela cultura”.
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Notícias da Amazônia (Por Michele Silveira, com Teia 2008)




