O bispo ameaçado
novembro 16, 2008
Religioso denuncia a exploração sexual de adolescentes no Pará e explica por que o querem morto
Entrevista - Dom José Luiz Azcona
Dom José Luiz Hermoso Azcona, 68 anos, percebeu que seu destino era a Ilha de Marajó aos 23 anos de idade. Ele assistia a uma missa em Madri, capital da Espanha, seu país natal, quando o padre pediu candidatos para pregar o Evangelho em uma das regiões de mais difícil acesso da Amazônia brasileira. O então missionário sentiu que o chamado era com ele e, ao fim da missa, se ofereceu para embarcar rumo ao desconhecido.
A viagem, no entanto, ocorreria apenas 20 anos mais tarde, quando chegou à ilha paraense que registra um índice de desenvolvimento humano (IDH) comparável ao dos países mais pobres da África. “A população está mergulhada na pobreza, no desamparo. E eles são brasileiros também”, reforça. Em 1985, promovido a bispo de Marajó, o espanhol ganhou responsabilidade sobre 440 mil almas e decidiu que viveria para sempre no Brasil. “Aos 75 anos, me aposento, mas decidi que quero morrer aqui.”
O religioso está ameaçado de morte desde o ano passado, quando esteve no Congresso Nacional para denunciar a exploração sexual de crianças e o tráfico de mulheres na região. Lá, meninas costumam vender o corpo nos barcos que passam pela região, o que rendeu a elas o apelido de balseiras.
Em uma das salas da Paróquia São José Queluz, localizada próxima à rodoviária de Belém, dom José Luiz concedeu esta entrevista, na qual diz que supera o medo de ser assassinado porque acredita estar cumprindo uma missão.




