Descoberta de novas jazidas de argila no Amazonas
novembro 16, 2008
A Companhia de Produção e Recursos Minerais (CPRM) concluiu o projeto de mapeamento geológico de fontes minerais para a construção civil. O levantamento fez uma descoberta importante: a existência de grandes jazidas de argila, a principal matéria-prima do tijolo. As novas ocorrências foram encontradas em uma área que compreende os municípios de Itacoatiara, Urucurituba, Silves e Itapiranga.
Trata-se de uma argila ‘mais fina e de excelente qualidade’. “Além de ser apropriada para tijolo e telha, essa argila pode ser utilizada na produção de cerâmica, porcelana e em diferentes peças artísticas como os vasos”, explica um dos gerentes da CPRM, César Gonçalves, ao completar que o mineral descoberto suporta temperatura de 600 graus nos fornos.
Gonçalves destaca que, diariamente, são consumidos na capital aproximadamente 3 milhões de tijolos, todos eles produzidos em olarias de Iranduba (a 25 quilômetros da capital amazonense) e Manacapuru (distante a 84 quilômetros de Manaus).
O projeto da CPRM, que levou dois anos para ser concluído, mapeou também outras fontes de materiais para a construção civil, como as de areia e seixo, mas a localização das jazidas é mantida por enquanto em segredo, a fim de impedir acesso de extratores ilegais dos agregados minerais.
O gerente da companhia salienta que o maior mercado no Norte do país, a cidade de Manaus, tem boas fontes desses dois insumos. “Temos muita areia e seixo em áreas próximas de Manaus e podemos dizer que os recursos são abundantes”, frisa.
O projeto desenvolvido pela CPRM pode se transformar em um grande instrumento para o governo planejar uma extração de materiais mais racional e até com custos mais baratos. Da mesma forma, poderá orientar instituições do meio ambiente e até mesmo futuros empreendimentos do setor que necessitem de muita matéria-prima, segundo César Gonçalves. “Infelizmente, toda extração desses recursos implica em impactos ambientais. Mas isso, a partir de agora, poderá sem feito de uma maneira menos prejudicial ao meio ambiente”, assegura.
Fonte de renda no interior
Nessa pesquisa, a CPRM também mapeou as argileiras, conhecidas ou não no Estado do Amazonas e que podem ou não ser exploradas economicamente, inclusive em áreas indígenas dos Altos Solimões e rio Negro.
Esse mapeamento pode permitir que comunidades indígenas com dificuldades econômicas aproveitem a argila como atividade e dela possam confeccionar inclusive peças de artesanato.
Um dos grupos que pode aproveitar a jazida de argila do Médio Amazonas é a sateré-mawé. “Aliás, essa região é abastecida precariamente de tijolos e telhas, porque existe apenas uma olaria no município de Itacoatiara para essa finalidade”, lembra César Gonçalves.
A grande jazida de argila descoberta pelo projeto da CPRM pode contemplar ainda um grande empreendimento industrial para aproveitamento da matéria-prima na região.
Além de todas as qualidades da argila já citadas, uma ainda mais pode ser exaltada: de que essa argila se renova por conta da riqueza hidrográfica do Amazonas e da região onde a nova ocorrência mineral foi descoberta.
Fonte: Amazonas Em Tempo



