Trajetória da dança no Pará em exposição
novembro 17, 2008
Um convite ao olhar do outro para uma sensível contradança. Assim é a exposição “Trilhas da Dança”, que o Instituto de Artes do Pará (IAP) apresenta até o dia 28, com entrada franca. A exposição reúne imagens de ensaios e espetáculos de diversas companhias de dança que protagonizaram um verdadeiro movimento transgressor dessa linguagem artística no Pará.
“Esta exposição é parte de um movimento artístico imprescindível para compreendermos a dança produzida na atualidade, através de um gesto nascido como pulsão de vida dessas mulheres dançarinas do seu tempo e coreógrafas de suas próprias transgressões, sempre sob o signo do feminino”, diz Miguel Santa Brígida no material de apresentação do evento.
Para ele, essas transgressões “deslocaram a dança para um outro tempo-espaço, corpo-pensamento, ensinar-aprender, pesquisar-desvendar, dançar-coreografar”. “Suas criações tiraram a dança dos teatros, das casas de espetáculos tradicionais e foram para as ruas, praças, igrejas, porões, galpões, entre outros não-lugares”, complementa.
De acordo com Giselle Moreira, responsável pela pesquisa que resultou na exposição, “os transgressores exerceram o papel de vanguarda, abrindo sulcos e fendas para cultivar o território de potência no qual atuaram”. “Eles romperam caminhos, atravessaram por entre todas as danças que haviam aprendido e apreendido ao longo de suas formações e foram além de todas elas, exercendo o pioneirismo sob medida, ao alcance de cada um deles”.
Segundo a pesquisadora, a possibilidade de uma “nova linguagem” se deu através das criações coreográficas isoladas do Grupo Coreográfico da Universidade, na década de 70, sob direção de Marbo Giananccinni e Eni Corrêa. A evidência desse processo pôde ser vista no espetáculo “Tempo das Pedras”, de Teka Sallé, em 1980, década que abrigou diversos espetáculos encenados pelos dois grupos. “Já a solidificação do movimento se deu com o espetáculo `Réquiem’ (1990), encenado pelo Grupo Encarte, de Marilene Melo, e coreografado por Ricardo Risuenho, bailarino e coreógrafo deste grupo naquela época”.
A exposição “Trilhas da Dança” tem curadoria de Ana Cláudia Costa, gerente técnica da Gerência de Artes Cênicas e Musicais do IAP, Ana Flávia Mendes, Giselle Moreira e Waldete Brito.
TRAJETÓRIAS - Na década de 70, o Grupo Coreográfico da Universidade, sob a direção e criação de Marbo Giananccinni e Eni Corrêa, estabeleceu princípios experimentais de dança do “Movimento Transgressor” em trabalhos coreográficos isolados, proporcionando às gerações de bailarinos, coreógrafos e grupos de danças novos caminhos de possibilidades e experimentações criativas expressando, através do movimento, a verdade e a natureza humana. “Este grupo operou em uma espécie de fronteira, num fluxo de mutação, definindo se como zona de potência”, explica Giselle Moreira.
Vinte anos depois, o Grupo Encarte, sob direção de Marilene Melo, consolidou a efervescência do “Movimento Transgressor” com o espetáculo “Réquiem” (1990), coreografado por Ricardo Risuenho, que tinha como prioridade levar à cena a expressão de sentimentos e emoções.
Criada em 1998, a Cia. Experimental de Dança Waldete Brito é um núcleo de pesquisa em dança contemporânea que tem como principal método de criação a técnica da improvisação como o caminho para a descoberta de diferentes modos de pensar o corpo na cena contemporânea.
Dois anos depois surgiu o Grupo de Dança Roda Pará, também sob a direção de Marilene Melo, que trilhou o caminho da pesquisa, tendo como referencial o corpo contemporâneo livre de preconceitos técnicos e estéticos, universalisando por meio da cena a particularidade de corpos com ou sem deficiência.
Fundada em 2002, a Cia Moderno de Dança reúne antigos alunos do Colégio Moderno e é dedicada à pesquisa de linguagem em dança contemporânea, localizando-se na fronteira entre os territórios amador e profissional. Destaca-se no cenário artístico de nível local e nacional por meio de seu repertório cênico, com ênfase para o espetáculo “Avesso”. A Cia. é dirigida por Ana Flávia Mendes, que segue como uma linha de ramificação do Movimento Transgressor.
Serviço: Exposição fotográfica “Trilhas da Dança”. Até dia 28, na Varanda do Instituto de Artes do Pará (IAP Praça Justo Chermont, 236, ao lado da Basílica). Entrada franca. Informações: 4006-4006-2915. (Diário do Pará)
Fonte: Diário do Pará



