Compras da Alcoa no Pará ultrapassam a marca de R$ 400 milhões
novembro 19, 2008
A mineradora Alcoa, que está construindo uma mina de exploração de bauxita em Juruti, no Oeste do Pará, já rendeu aos fornecedores do Estado cerca de R$ 426 milhões. Desse total, 168 milhões foram gastos com empresas de municípios do oeste paraense. Só em Juruti foram R$ 48,3 milhões. Os valores se referem às transações comerciais realizadas até setembro deste ano. O investimento total, com a conclusão da obra, denominada Projeto Mina de Juruti, deve ultrapassar R$ 2,5 bilhões.
Os cofres do tesouro municipal também lucram com o empreendimento mineral. De 2006 a setembro de 2008, a Prefeitura Municipal de Juruti já arrecadou cerca de R$ 21,5 milhões em impostos e taxas resultantes do empreendimento.
Segundo Maurício Macedo, gerente de Sustentabilidade e Assuntos Institucionais da Alcoa Mina de Juruti, é desejo da multinacional estar sintonizada com os anseios dos empresários da região. Para isso, a Alcoa mantém diálogos freqüentes com as Associações Comerciais de Juruti (ACEJ) e de Santarém (ACES), além de uma parceria com o Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF) da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa).
Juruti possui uma reserva com cerca de 700 milhões de toneladas métricas de bauxita de alta qualidade, uma dos maiores do mundo. O primeiro navio carregado com o minério deve deixar o porto ainda no início do segundo semestre de 2009. ‘As obras do projeto devem ser entregues até o final de dezembro deste ano. Daí, inicia-se a fase de testes para a operação nos primeiros meses do próximo ano. Em agosto de 2009, devemos estar operando plenamente’, explica Maurício Macedo, durante um evento realizado pela Alcoa, na noite de anteontem, no Barão Center Hotel em Santarém.
As chuvas intensas que atingiram a região e o município de Juruti e as dificuldades impostas pelos desafios logísticos e das atividades de construção da obra contribuíram para um pequeno atraso na entrega do empreendimento. ‘É sempre um desafio construir na Amazônia. Choveu muito durante sete meses em Juruti. Até a primeira semana de julho de 2008 havia chuvas. As chuvas atrapalharam as obras, mas conseguimos caminhar bem com as montagens eletromecânicas e as construções civis’, justificou Macedo.
A empresa prevê que a capacidade produtiva inicial da unidade será de 1,8 a 1,9 milhões de toneladas em 2009. O objetivo é chegar ao índice de 2,6 milhões de toneladas por ano. ‘O que deve acontecer de forma gradual’, diz o gerente de Sustentabilidade da Alcoa.
A empreiteira responsável pela execução das obras do Projeto Mina de Juruti da Alcoa já conclui a construção de uma ferrovia de 57 km. Ela liga a mina de exploração ao píer onde os navios vão ser abastecidos pelo minério.
Uma locomotiva com 44 vagões vai fazer o transporte da bauxita da mina até o porto onde atracaram os navios. ‘Cada vagão tem capacidade para receber 80 toneladas de bauxita e a locomotiva vai fazer duas viagens por dia’, informou Maurício Macedo, acrescentando que o porto terá capacidade para receber navios de com capacidade para até 75 mil toneladas.
Bauxita extraída em Juruti vai ser beneficiada no Maranhão
Todo o minério de bauxita que será extraído no município de Juruti será levado de navio para a unidade da refinaria da Alumar, em São Luis, no Maranhão. Lá, o minério será transformado em alumina, produto que antecede o alumínio.
De acordo com Maurício Macedo, a Alcoa ainda pensa na possibilidade de construir uma refinaria de bauxita no Pará, mas ainda não pretende falar sobre o assunto. ‘O nosso principal objetivo agora é entregar essa obra’, diz o gerente de Sustentabilidade.
O principal entrave aos planos da empresa será o abastecimento de energia. A solução viria com a construção de uma linha de transmissão de Tucuruí que passaria por Juruti ou com a construção de uma usina hidrelétrica, como a Belo Monte ou a do São Luiz do Tapajós.
Compensação
O gerente de Sustentabilidade da Alcoa disse ainda que todas as ações de compensação ambiental e sócio-econômica estão sendo realizadas pela mineradora dentro de um programa chamado ‘Agenda Positiva’. Segundo Macedo, do total de recursos investidos no projeto, cerca de R$ 250 milhões está sendo gasto com ações voltadas para o meio ambiente. ‘Já construímos mais de 150 quilômetros de estradas vicinais que estão beneficiando as comunidades rurais de Juruti. Também desenvolvemos outras ações como a construção de um fórum para a justiça local e um hospital com Unidade de Terapia Intensiva, além de estudarmos a instalação de um campus da universidade federal do Pará’, finaliza Mauricio Macedo.
Fonte: O Liberal



