Chacina deixa cinco mortos em Ourilâdia do Norte

novembro 21, 2008

O clima é de revolta e indignação em Ourilândia do Norte, no sudeste do Pará, onde cinco pessoas de uma mesma família foram mortas a golpes de machado e faca, na manhã de ontem. O crime ocorreu na rua Caiteté nº 1892, na residência que fica anexa ao Bar da Nega.

As vítimas são Rosangela Pinheiro Jesus Terres, a “Nega”, 35 anos, seus filhos Diones Terres, 14 anos, e Dara Linda Terres, 10 anos, além de Ezequiel Pinheiro dos Santos, 60 anos, e Luzia Sebastiana de Jesus, 53 anos, pais de Nega.

O acusado do crime é Adilson Divino Schimith, 42 anos, marido da vítima, que, segundo a polícia, confessou o crime ainda no hospital. Adilson era casado com Nega há dois anos e, sem explicações, foi o único a ter saído com vida da chacina. Ele foi encontrado pelos policiais no hospital da cidade com apenas um corte no braço.

Segundo a primeira versão do crime, Adilson, que teria problemas de coração, abriu o portão da residência, por volta das 7h, e teria sido surpreendido por dois homens em uma moto que procuravam o irmão de Nega, que não foi identificado.

Segundo o acusado, ele teria dito que o rapaz não estava, quando os dois homens o atacaram com facões. Ele teria conseguido fugir para pedir socorro, enquanto os criminosos matavam todos que estavam na casa. No entanto, a polícia não acreditou muito na versão de Adilson, uma vez que ele não ficou gravemente ferido.

De acordo com informações da assessoria de imprensa da Polícia Civil, após ser pressionado pelos policiais, Adilson confessou o crime e disse ter pedido a seus dois irmãos que acabassem com a família.

A motivação do crime, segundo a polícia, pode ter sido vingança, uma vez que Nega teria se separado de Adilson e ficado com a casa, que teria sido construída com o dinheiro da venda de um terreno do acusado, na época em que se casaram.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, para evitar a revolta de populares, Adilson seria transferido para a Delegacia de Redenção, onde ficará sob custódia até a conclusão do inquérito. Entretanto, o tenente Campos informou que Adilson continua na cidade, pois ainda encontra-se na posição de suspeito. Até o início da noite de ontem, peritos permaneciam no local no crime.

CENA DO CRIME – A cena remetia a um filme de terror dos mais grotescos. Corpos espalhados por todos os cômodos e fora da casa. Nem as crianças foram poupadas pelo assassino, que, pela quantidade de sangue espalhado pelo chão da casa, não teve piedade ao executar a família.

No local, a polícia encontrou uma arma de fogo e um machado, no chão da cozinha ensangüentada, que podem ter sido usados para matar as vítimas. Só os peritos poderão confirmar a informação.

O local do crime foi preservado pela equipe da Polícia Militar, sob o comando do tenente Campos, para aguardar a chegada dos peritos do IML. A família de Nega era bem relacionada na cidade e não possuía rixas ou desavenças que pudessem justificar o crime.

No histórico de crimes bárbaros em Ourilândia, esta é a segunda chacina com maior número de vítimas que ocorre no município, já que, em 1997, cerca de três trabalhadores sem-terra foram assassinados na antiga fazenda Santa Clara, hoje PA-Maria Preta. O inquérito policial está sendo presidido pelo delegado Francisco Eli, tendo o apoio da Polícia Militar, sob o comando do tenente Campos.

Fonte: Diário do Pará