Amazônia: Minc diz que desmatamento anual poderia ter sido maior

Enviada em 28 de novembro de 2008 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Minc comemorou o fato de o desmatamento ter caído nos 36 municípios campeões do desmatamento. Dos 20 piores, 18 reduziram o desmatamento e apenas Novo Repartimento (PA) e Juara (MT) aumentaram

Amazônia: Minc diz que desmatamento anual poderia ter sido maiorO ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, comentou na manhã de hoje (28) os dados, divulgados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), que indicaram um crescimento de 3,8% na taxa de desmatamento anual em relação a 2007, medido pelo Prodes - Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal. Na opinião dele houve uma estabilização da taxa tendo em vista que a de 2007 era de 11.532 km² e passou para 11.968 km². Este é o primeiro ano, em três, que a taxa teve crescimento.

Segundo o ministro o crescimento poderia ter sido maior devido ao aumento expressivo do desmatamento, medido pelo DETER, no fim do ano de 2007 e início de 2008. Os dados apontam que o período de agosto de 2007 e abril de 2008 representou 72% do desmatamento anual. “Historicamente as estatísticas demonstram que os piores meses são entre maio e julho”, disse.

Com um quadro de desmatamento agravado nos primeiros meses da contagem, as projeções do MMA, do IBAMA e do INPE eram que os dados do Prodes ficassem entre 14 e 15 mil km² de desmatamento. “O segredo para que os dados não explodissem foi intensificar as ações nos considerados piores meses [maio, junho e julho]”.

Na opinião do ministro, foram várias as ações que contribuíram para a frear o desmatamento nos piores meses. As principais são a resolução nº 3545/08 do Banco Central que cortou o crédito para os produtores rurais que estavam ilegais do ponto de vista fundiário e ambiental e o decreto nº 6.514/08, de Crimes Ambientais lançado em julho, que possibilitou a apreensão e leilão de bois, da soja e da madeira ilegais. O ministro citoi ainda a realização do dobro de operações do IBAMA, da Polícia Federal e da instalação dos portais de controle na BR-364 em Vilhena (RO) e na BR 163 (Cuiabá-Santarém).

“Estão sendo previstos mais seis portais para toda a região amazônica e para ajudar na diminuição dos dados que preocupam no estado do Maranhão, que pela primeira vez ficou em terceiro”, afirmou. Os postos de fiscalização contam com pessoal da Polícia Federal, Ibama e Polícia Rodoviária Federal e atuam principalmente para barrar o transporte de madeira ilegal.

Deter deve indicar redução de 10%

O ministro adiantou ainda que, segundo os dados de outubro registrados pelo Deter - que serão divulgados em breve pelo INPE - o desmatamento caiu 10% em relação a setembro. Com o resultado, os dados no acumulado dos meses de junho a outubro deste ano tiveram queda acentuada segundo o Ministro. “Nós conseguimos, em cinco meses, derrubar 23% do desmatamento. Ainda estamos insatisfeitos; queremos desmatamento zero. Mas os dados indicam que passamos de um viés de alta para um viés de baixa”, disse.

Minc também comemorou o fato de o desmatamento ter caído nos 36 municípios campeões do desmatamento. Dos 20 piores, 18 reduziram o desmatamento e apenas Novo Repartimento (PA) e Juara (MT) aumentaram. Para o ministro, a política de focar nesses municípios deu resultado. Ele anunciou ainda que o presidente Lula irá se reunir com os novos prefeitos dessas 36 cidades da Amazônia Legal para estimulá-los a implementar políticas de manejo sustentável e de regularização ambiental.

Como última explicação para aumento do crescimento, Minc disse que a pequena elevação no índice também é conseqüência do alto preço das commodities (carne e soja) registrado nos meses de maio a julho. “Eu não fico 100% convencido dessa explicação, mas é a melhor explicação que deram”, afirmou o ministro.

Próximo anúncio

Minc disse também que na próxima segunda-feira, 1º, o presidente Lula e ele vão anunciar o primeiro Plano Nacional de Mudanças Climáticas. “Estabelecer metas não era a política do governo, mas passou a ser. Vão ser metas de redução progressiva, a cada quatro anos, que vão depender dos governos estaduais, do setor produtivo”, disse.

Ele não quis adiantar as metas que serão anunciadas pelo presidente, mas ressaltou que o novo sistema poderá funcionar se houver cooperação entre todos os entes envolvidos na preservação ambiental. “As metas serão alcançadas se o governo fizer sua parte, se os governos estaduais ampliarem o controle de zoneamento, e o consumidor também exigir recibo do plano de manejo. É um esforço planetário, porque o desmatamento da Amazônia é grande contribuição para o aquecimento do planeta, que a gente quer reverter.”

Notícias da Amazônia (por Camila Fiorese)