Rondonistas alertam para uso eleitoreiro do projeto por prefeituras
Enviada em 29 de janeiro de 2008 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Nova Timboteua (Pará) - “A gente percebe que é um ser político, mas não é massa de manobra.”
A afirmação é da professora da Universidade de Brasília (UnB) Regina Alves que, acompanhada de outros 11 rondonistas – três professores e oito estudantes universitários –, abriu mão das férias de janeiro para passar as duas últimas semanas do mês no município de Nova Timboteua (PA), a 200 quilômetros de Belém.
Durante a viagem ela descobriu que parte das ações do Projeto Rondon no Pará ainda esbarra na utilização indevida - de cunho eleitoreiro - por prefeitos e políticos das cidades visitadas.
“Como universidade, somos massa crítica. A gente percebe, às vezes, o uso [político]. Não é intencional, mas acaba escorregando”, disse a professora.
Ela afirmou que, ainda na primeira semana de estadia no município, a prefeitura de Nova Timboteua concedeu ao grupo um trio elétrico para divulgação da Operação Grão-Pará, primeiro pacote de ações do Projeto Rondon em 2008. O veículo, segundo Regina, seguia na frente dos rondonistas, liderado por funcionários da prefeitura, que divulgavam o cronograma de eventos para o carnaval da cidade.
“Só não falava do projeto. Divulgando uma ação que não era a nossa. Eu disse: ‘Olha, ou vai parar com isso ou a gente vai saltar aqui’. Não podemos e não devemos ser usados, até porque desvirtua o que é a ação.”
Jackson de Oliveira Pereira, professor da Universidade Vale do Rio Doce (Univale), lembrou que a prefeitura da cidade já tinha conhecimento da visita dos rondonistas e do tipo de atividade a ser desenvolvida, por conta da viagem precursora da equipe ao município, em outubro de 2007.
O prefeito de Nova Timboteua, Antonio Elias, garante que a Operação Grão-Pará recebeu grande parte do enfoque quando o trio circulava na cidade, mas não nega que outros assuntos também tenham sido divulgados.
“A gente fazia um apanhado geral, essa era a realidade. O que tinha para anunciar, qualquer problema do município, anunciava. A gente cedeu [o trio] para fazer o serviço deles de divulgação e outras coisas mais que são importantes. Não foi obra, só o carnaval ou alguma coisa que, por ventura, aparecesse. Na realidade, tudo foi feito mais em cima do Projeto Rondon”, afirmou o prefeito.
Os 16 rondonistas, bem como a população da cidade, foram recebidos durante o período de duas semanas para refeições diárias na própria casa de Elias. No local, o cartaz com a fotografia do político era estampado próximo à divulgação do projeto. Quando questionado se as ações seriam parte de uma possível campanha para reeleição, o prefeito afirmou que ainda não sabe se pretende ou não se candidatar novamente.
“Isso é uma questão que lá para frente a gente vai ver. A campanha será este ano mas está muito distante. Não sei dizer. Tem que ser resolvida muita coisa.”
O secretário de Administração da Prefeitura de Nova Timboteua, Jorge Miguel Faro Bitencourt, elogiou a atuação dos rondonistas na cidade mas não deixou de associá-la às ações da atual gestão.
“Espero que os próximos prefeitos dêem continuidade àquilo que começamos. Demos um pulo muito grande”, garantiu Bitencourt.
Sérgio Nogueira, professor da UnB, afirmou que o apoio por parte da prefeitura facilitou a implementação da operação, mas que foi preciso ficar atento para que as eleições municipais, previstas para outubro, não interferissem nas ações.
“Você percebe uma influência. A gente procura ficar atento, até mesmo, para não misturar uma coisa que é neutra com um jogo político. A gente falou que não está ali para anunciar carnaval coisa nenhuma, que está ali para divulgar as oficinas.”
A Operação Grão-Pará foi concluída neste fim de semana, com cerimônias de encerramento em Belém (PA) e Teresina (PI) . Ao todo, 31 municípios do Pará e outros 13 do Piauí receberam ações do projeto. Os rondonistas devem voltar aos municípios em julho para a Operação Retorno.
Fonte: Agência Brasil




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