Crise atinge as exportações paraenses

Enviada em 28 de fevereiro de 2009 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

A balança comercial paraense fechou janeiro de 2009 registrando uma queda de 31,25% no saldo resultante das operações de importação e exportação, em relação ao mesmo período de 2008, depois de mais de um ano acumulando crescimento. Alguns dos principais produtos de exportação do Estado apresentaram desempenho negativo na comparação com janeiro do ano passado. O destaque foi para a pauta mineral, que concentra mais de 80% do total exportado pelo Pará.

O setor mineral, que até o momento vinha apresentando um desempenho positivo nas vendas externas, encerrou janeiro registrando queda nas exportações em seis dos oito principais produtos da pauta paraense. A queda arrastou o Pará do segundo para o terceiro lugar entre os estados com maior saldo comercial no Brasil. A segunda posição passou a ser ocupada por Mato Grosso.

Mesmo com a queda, a balança comercial paraense continua a apresentar saldo positivo, um resultado que reflete, principalmente, o fraco desempenho das importações do estado. O saldo acumulado em janeiro de 2009 foi US$ 491,8 milhões. Em janeiro de 2008 o saldo foi US$ 715,4 milhões.

O minério de ferro, principal produto exportado pelo Pará, apresentou queda no volume de vendas externas de 39,49% em janeiro deste ano em relação ao mesmo mês do ano passado. Como a cotação do produto continua em alta, fruto dos contratos de longro prazo firmados antes da crise, o valor das exportações de ferro, ainda assim, registrou crescimento de 67,68%.

Comparando janeiro de 2008 ao deste ano, as vendas dos produtos paraenses ao exterior caíram em 26,25%, por conta da não renovação de contratos com os parceiros comerciais e a falta de crédito às empresas exportadoras. Os dados, divulgados ontem (27) pelo CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fiepa (Federação das Indústrias do Pará), mostram que a economia paraense não conseguiu escapar ao impacto da crise mundial.

Os produtos que registraram maior queda no volume exportado foram: o Manganês (-94,22%); a Madeira (-74,33%); o Ferro-gusa (-54,73%); o Silício (-50,05%); o Dendê (-45,28%) e o Minério de Cobre (-41,73%). Com relação ao valor exportado, no primeiro mês de 2007 as exportações paraenses geraram US$ 784 milhões em divisas. No mesmo período de 2008 as divisas geradas não passaram de US$ 578 milhões, uma redução de 26,25%. Nesse ponto, o estado acompanhou o desempenho registrado pelo Brasil, cuja queda em valor exportado foi de 26,32%.

‘A crise está atingido fortemente o estado. Nossos contratos não estão sendo renovados, o que preocupa bastante, já que somos um estado eminentemente exportador. Precisamos de uma política que volte a dotar nossos bancos de créditos aos exportadores, caso contrário, a crise vai se agravar e nosso produtos perderão espaço e competitividade’, avalia Raul Tavares, gerente do CIN.

Quase todos os blocos econômicos reduziram as compras de produtos paraenses. A Ásia, que no primeiro mês do ano passado comprou US$ 239 milhões em produtos do Pará, passou este ano a consumir menos, registrando um valor de US$ 218 milhões, uma queda de 9,02%. Os paises que compõe o NAFTA (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio) registraram queda de -16,13%, enquanto nos da Liga Árabe a redução foi de 47,04%.

Queda expressiva também foi registrada nos valores importados pelos países da União Europeia. Em janeiro de 2008 foram mais de US$ 280 milhões em exportações para os países da europa, enquanto no mesmo período de 2009 não chegou aos US$ 80 milhões, descréscimo de 72,14%. O mais alarmante, entretanto, é a situação das relações de comércio com os países vizinhos que formam o Mercosul. Eles deixaram de consumir os produtos paraenses em quase sua totalidade, registrando uma variação negativa no volume de exportações de 97,29%.

Os únicos parceiros comerciais que aumentaram as importações de produtos paraenses, no início deste ano, foram aqueles que formam a Comunidade Andina (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru). Em janeiro de 2008 foram exportados em torno de US$ 24 milhões para esses países, e, no mesmo período de 2009 o valor foi de US$30 milhões, ou seja, veriação de 26,11%.

Para tentar frear a queda vertiginosa da economia paraense, o CIN promoverá na tarde da próxima segunda-feira (2), na sede da Fiepa, evento que discutirá a importância do crédito às empresas exportadoras. Na avaliação dos empresários, a política de créditos é a única medida que poderá mitigar os impactos da crise. Na ocasião, o coordenador do CIN, Luiz Carlos Monteiro, apresentará palestra sobre ‘A crise financeira e a importância do crédito às empresas exportadoras’, destacando o papel dos bancos federais nas Regiões Norte e Nordeste.

Fonte: O Liberal