Goeldi sedia workshop internacional de Arqueologia e Turismo

Enviada em 26 de abril de 2009 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Pesquisadores de diversas instituições discutem o turismo nos sítios arqueológicos da Amazônia

“Turismo e Gestão do Patrimônio Arqueológico” é tema de workshop que acontece nos dias 28 e 29 de abril, no Auditório Paulo Cavalcante, do Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), situado à Avenida Perimetral, 1901, Terra Firme, em Belém (PA).

O objetivo do workshop é discutir a utilização turística de sítios arqueológicos. Para isso, serão apresentados, como exemplos, sítios que são alvo de visitação no Brasil e em outros países, sul-americanos e europeus. A intenção é compartilhar experiências com o propósito de fornecer subsídios para a abertura dessas áreas à visitação pública – a chamada “musealização” de sítios arqueológicos –, que constitui o tema central do evento. Além disso, a gestão desses sítios, que possuem naturezas diversas na Amazônia e no Brasil, também será debatida.

O workshop será realizado em parceria com o Núcleo de Estudos Amazônicos (NAEA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e o apoio da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp).

“Esse é o terceiro evento sobre Arqueologia e Turismo na Amazônia realizado pelo Museu Goeldi, que é a instituição que está à frente dessa discussão, procurando soluções para viabilizar a musealização de sítios arqueológicos”, afirma Edithe Pereira, arqueóloga do Goeldi e uma das organizadoras do evento.

Preservação 

Segundo a pesquisadora, o evento trará para a mesa de debate as experiências de outros lugares onde já foi realizado esse processo de abertura dos sítios arqueológicos à visitação (musealização). “Dessa forma, nós vamos poder observar e discutir os problemas encontrados e as soluções tomadas para encontrar a melhor forma de fazer a musealização dos sítios”, avisa.  

A visitação a essas localidades ricas em patrimônios arqueológicos, como o município paraense de Monte Alegre e suas pinturas rupestres, onde a visitação turística é intensa, mas carece de infra-estrutura, organização e pessoal capacitado, informa a arqueóloga. O resultado disso, diz ela, é prejudicial para a conservação do local, visto que visitas dessa natureza devem ser realizadas com acompanhamento adequado para evitar a degradação do sítio.

“Daí a importância do workshop na discussão de formas de organização e implementação da ‘musealização’ de sítios arqueológicos ou abertura desses locais ao público, com ênfase nos municípios de Monte Alegre, Pará, e Calçoene e Mazagão, no, Amapá,”, sugere Edithe Pereira.

Participarão das discussões representantes da Universidade Federal do Pará (UFPA), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá, do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia/ Universidade Católica de Goiás (IGPA/UCG), da Fundação Museu do Homem Americano (Piauí), do Instituto Nacional de Antropología y Pensamiento Latinoamericano (Argentina) e da Universidade de Lisboa (Portugal).

Estudos

Edithe Pereira, que também integra o Comitê Científico do workshop, falará sobre “Os Sítios com Pinturas Rupestres de Monte Alegre, Pará, Brasil”, município do baixo Amazonas que, desde o século XIX, é conhecido pelas pinturas rupestres existentes nas serras localizadas próximo à sede municipal.

Ela conta que o município ganhou, no ano de 2001, o Parque Estadual Monte Alegre, onde estão situados alguns desses sítios utilizados para fins turísticos - o que tem colocado em risco o patrimônio arqueológico da região - com o objetivo de proteger o patrimônio natural e arqueológico das serras de Monte Alegre. Segundo Edithe, a região ganhou destaque, em 2006, por possuir um sítio com uma das mais antigas datações da Amazônia, 11.200 A.P (antes do presente), o que propiciou um aumento vertiginoso do fluxo de visitantes para a região.

O MPEG também discute a musealização dos sítios arqueológicos na apresentação da arqueóloga Vera Guapindaia, pesquisadora da instituição, sobre “As Grutas de Maracá”. A pesquisa que originou a apresentação foi encerrada em 2001 e investiga a pré-história da região do Igarapé do Lago, afluente do rio Maracá, localizada na metade meridional do Estado do Amapá, onde se encontrava a população de cultura Maracá.

No século XIX, foram encontradas, em pequenas grutas, urnas cerâmicas antropomorfas e zoomorfas na localidade, porém, foi apenas na década de 1990 que uma equipe de arqueólogos do Museu Goeldi, sob a coordenação de Vera Guapindaia, desenvolveu um projeto de pesquisa na área, trazendo a tona uma série de informações sobre as práticas funerárias do povo da Cultura Maracá.

A arqueóloga conta que o projeto registrou 16 novos sítios arqueológicos na região, levando à constatação do alto potencial para pesquisas arqueológicas do entorno do Igarapé do Lago. No entanto, essas novas descobertas e as atividades de pesquisas começaram a atrair curiosos, gerando um “turismo informal”, cuja ação estava colocando em risco a conservação dos sítios arqueológicos, segundo Guapindaia.

“A apresentação irá mostrar como é o acesso ao local onde estão os objetos de importância arqueológica da cultura Maracá, no sudoeste do Amapá, e as conseqüências dessa visita que, muitas vezes, é desorganizada” explica a especialista.

Projeto - O Workshop “Turismo e Gestão do Patrimônio Arqueológico” faz parte do “Projeto básico e especificações técnicas para a elaboração de projetos de socialização de sítios arqueológicos na Amazônia: musealização, educação e turismo”, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão responsável pela gestão do patrimônio cultural brasileiro. “Esse ano, já foi realizada uma visita a sítios do estado de Goiás. A próxima está prevista para início de maio, em Monte Alegre, no Pará”, diz a acompanhante técnica do projeto do Iphan, Denise Carvalho. 

“Mas, para que esse projeto seja bem sucedido, não basta construir uma infra-estrutura nos sítios é preciso que haja uma parceria entre  instituições federais, estaduais e municipais visando contribuir na organização do turismo nos sítios, pois o objetivo não é acabar com a visitação que é feita nos sítios, mas fazê-la da forma correta. E, assim, promover um turismo que não destrói, mas educa e preserva”, afirma Edithe Pereira.

Serviço

Workshop “Turismo e Gestão do Patrimônio Arqueológico”, Auditório Paulo Cavalcante, do Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, 28 e 29 de abril, das 9h às 18h. Mais informações nos telefones (91) 3201-7234 / 3201-7231.

A ficha de inscrição do workshop, que possui vagas são limitadas, está disponível no portal do Museu Goeldi através do link Workshop Internacional “Turismo e Gestão do Patrimônio Arqueológico”

Fonte: Museu Goeldi