Minc é “boi de piranha”, diz ambientalista

Enviada em 31 de maio de 2009 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

As recentes tentativas da bancada ruralista do Congresso de flexibilizar as leis ambientais devolveu ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o apoio irrestrito dos ambientalistas que, no último ano, criticaram a postura do ministro em vários momentos, principalmente no que se refere a licenciamentos ambientais. Minc, que outrora foi acusado pelos ativistas de ser muito condencedente com os ruralistas, é agora citado como o “boi de piranha” dentro de um governo que privilegiaria o desenvolvimento a qualquer custo.

– A situação do Minc é muito complicada – afirma o secretário-executivo do Instituto Terra, Maurício Ruiz. – Ele está remando contra a maré em um governo extremamente desenvolvimentista. O relacionamento dele com a cúpula do governo é dez vezes melhor que da Marina (senadora e ex-ministra do Meio Ambiente). Ele está lutando, mas o governo não está ajudando.

Para o ambientalista, se o “rolo compressor dos ruralistas” passar por cima da legislação ambiental, Minc não verá mais sentido na luta, que, apesar de ter o apoio do movimento ambiental, está reduzida completamente em sua força política, uma vez que os ruralistas são maioria no Congresso e bem organizados.

– Minc teve um choque de realidade em Brasília – acredita Mário Mantovani, diretor de Mobilização da SOS Mata Atlântica. – Uma coisa é estar no Rio de Janeiro, legitimado por 20 anos de mandato. Outra é estar em Brasília levando bola nas costas o tempo todo.

Mantovani também acredita que o lado ambiental está enfraquecido do ponto de vista da articulação política:

– O problema não é do Minc, como não era da Marina e sim de uma estrutura de governo que faliu e não dá a menor importância para a questão ambiental – critica.

Diretor de campanhas do Greenpeace, Sérgio Leitão afirma que o grande marco da gestão Minc foi o lançamento da política nacional de mudanças climáticas, com o comprometimento do Brasil de cumprir metas de redução de desmatamento.

– Esse tema sempre foi tabu dentro do governo, principalmente nos ministérios de Ciência e Tecnologia e Relações Exteriores. – lembra Leitão. – Mas Minc teve a ousadia de brigar contra isso e pedir ao presidente Lula que aceitasse a inclusão de metas.

Para o diretor do Greenpeace, o atual quadro da política ambiental brasileira é o mesmo que levou à saída da ex-titular da pasta, Marina Silva. E, que caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidir se, “mais uma vez ficará ao lado da destruição”, ou se irá conciliar o desenvolvimento com preservação.

Leitão espera que o presidente Lula opte pela segunda opção e não jogue fora a imagem que o Brasil vem construindo lá fora de um país que faz o dever de casa na preservação do meio ambiente. Certificada, recentemente, pela doação de R$ 1 bilhão que a Noruega fez ao Fundo Amazônia.

Fonte: Jornal do Brasil