Ministro garante que não cederá às pressões
Enviada em 31 de maio de 2009 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Possibilitada pelo corte de créditos para os desmatadores, pela regulamentação da Lei de Crimes Ambientais e pelos acordos com o setor produtivo, a queda de 45% do desmatamento foi a vitória mais gloriosa do Ministério do Meio Ambiente no último ano, na opinião do titular da pasta, ministro Carlos Minc. Entre os acordos, o ministro destaca a moratória da soja – feito com os principais produtores do grão para que não fosse mais comprada soja originada do desmatamento da Amazônia – como um exemplo de parceria de sucesso entre governo e iniciativa privada pelo fim da devastação.
– Fizemos há dois meses o balanço da moratória da soja - conta Minc. – 96% de cumprimento. A soja deixou de ser problema para a Amazônia. É preciso comemorar.
Para o ministro, a criação do Plano de Mudanças Climáticas, que definiu prazos para que o país cumpra as metas de reduzir o desmatamento, mudou a imagem do Brasil no exterior, assim como a criação do Fundo Amazônia.
– Agora, o país é constantemente elogiado nos fóruns internacionais, como fez o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki Moon em Poznan, na Polônia, durante 14ª reunião dos países signatários da Convenção do Clima. Não é pouca coisa – gaba-se o ministro.
Apesar de todas as pressões, Minc garante que não vai afrouxar o licenciamento da BR-319, que liga Porto Velho a Manaus.
– O Alfredo Nascimento (ministro dos Transportes) está desesperado porque ele tem um cálculo eleitoral – alfineta Minc. – Ele é candidato ao governo do Amazonas, mas o tempo de defesa da Amazônia não é o tempo eleitoral dele. Já sou contra a estrada. Se licenciar com os dez pontos que eu mesmo coloquei já me estrepo, imagina licenciar sem eles?
Segundo Minc, a ex-ministra Marina Silva exigiu a criação de um distrito ambiental para licenciar a BR-163. Mas, como a criação foi no papel, o distrito nunca foi implantado e triplicou o desmatamento na região.
– Meu desafio era destravar os licenciamentos sem ser um carimbador maluco – afirma o ministro. – Aumentamos em 60% as licenças, mas com o dobro de rigor.
O ministro também garante que não haverá plantação de cana-de-açúcar na Bacia do Alto Paraguai, no Pantanal. Tanto essa decisão quanto a de não afrouxar o licencimento da BR-163 são, segundo o ministro, respaldadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E, aos que apostam em sua desistência frente às pressões, manda um recado:
– Vou permanecer. Vou resistir. Tenho o apoio do Lula e acabei de fazer uma aliança histórica com a a agricultura familiar. Estou animadíssimo e tenho certeza de que conseguiremos grandes vitórias.
Fonte: Jornal do Brasil




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