Os muitos olhos na Amazônia

Enviada em 28 de junho de 2009 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Jarbas Passarinho finaliza livro em que narra disputa pelos recursos da região. Muitas das previsões estrangeiras não se concretizaram

Há mais de 180 anos, a Amazônia já era alvo da cobiça estrangeira e havia a intenção de separar a região do restante do país. A internacionalização, que sempre foi um tema de discussão mundial, vai virar livro escrito por alguém que esteve perto das grandes decisões nacionais e próximo da floresta mais desejada do planeta: o ex-ministro Jarbas Passarinho, que está terminando Amazônia-Patrimônio Universal?, obra que pretende desmitificar e recontar fatos até então desconhecidos por muitos.

“No Século 19, a Amazônia já era demarcada”, conta Passarinho, acreano de Xapuri, de onde saiu por volta de 1920 para morar no Pará. Lá, construiu carreira militar e política. Em 1817, o capitão da Marinha dos Estados Unidos Mathew Fawry fez um mapa de como deveria ser a colonização da América do Sul. A Amazônia seria separada do Brasil. No arquipélago de Fernando de Noronha haveria uma base naval dos americanos. E, ao lado da ilha britânica Falklands (Malvinas), seria instalado um território indiano.

O absurdo está em um mapa que o ex-ministro reproduz no livro, ainda sem data de lançamento nem editora definida. “Estou mostrando, ainda, o que é pior, que são as acusações falsas sobre o país”, afirma. Para isso, recorre ao presente e lembra do mapa errôneo do Brasil, veiculado pela internet, onde a Amazônia não faria parte do território nacional.

Outro fato lembrado por Passarinho é a questão do desmatamento. Para ressaltar que nem todas as previsões feitas no passado por especialistas estrangeiros se concretizaram, recorre a gráficos. “Se a curva de crescimento acompanhasse a previsão de Fearnside (um dos especialistas), como mostram os valores projetados no ano de 1968, o desmatamento já teria atingido 2 milhões de quilômetros quadrados …Se a curva seguisse as previsões de Mahar e Lovejoy (outros estudiosos), o desmatamento seria de 598 mil quilômetros quadrados. Em contrapartida, mostra levantamentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicando que a devastação no período foi de 260 mil metros quadrados.

Biopirataria
Passarinho adverte que o Brasil está perdendo a biodiversidade por causa da pirataria, principalmente de estrangeiros que atuam em ongs na Amazônia. O que não chega a ser novidade no Brasil, que tinha no início do Século XX a borracha como segunda fonte econômica – a primeira era o café – mas perdeu a primazia para asiáticos. “Mandamos 70 mil sementes de seringueira para a Inglaterra, que foram plantadas em e depois enviadas para o Congo (hoje Sri-Lanka)”, relata.

Com 89 anos, Passarinho mantém posições políticas que o levaram ao Senado, ao governo do Pará e aos ministérios da Educação e da Justiça. É considerado da ala intelectual das Forças Armadas. A Amazônia é tema sempre presente em suas conversas. Aposentado desde 1994, ele vive em sua casa no Lago Norte, onde se confina em seu escritório para escrever artigos para jornais, ler e continuar o livro. Além disso, mantém a creche Pequeno Polegar, que abriga 120 crianças.

Fonte: Correio Braziliense (Por Edson Luiz)