Mangabeira deixa governo após passagem polêmica
Enviada em 30 de junho de 2009 – Imprimir esta matéria – Enviar para um amigo
Saída é confirmada por Lula. Ex-aluno será substituto provisório de ministro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem a saída do ministro Mangabeira Unger da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Segundo o presidente, Mangabeira precisará deixar o governo para retomar sua função de professor na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. O ministro não conseguiu ampliar a licença com a Universidade de Harvard. A saída de Mangabeira foi antecipada por Leandro Mazzini no Informe JB do dia 17 de junho.
O presidente não detalhou quando exatamente o ministro sairá do governo, mas afirmou que vai procurar o vice-presidente José Alencar para discutir a substituição. A expectativa é de que Mangabeira divulgue uma carta que entregou ao presidente Lula na semana passada com suas ações à frente da pasta e conceda entrevista coletiva amanhã explicando a saída do governo. O ministro será substituído provisoriamente por Daniel Vargas, secretário-executivo da pasta e seu ex-aluno em Harvard.
Lula e Mangabeira conversaram sobre a saída neste fim de semana. Segundo o Informe JB, também contribuiu para a saída do ministro do comando da pasta a falta de disposição do Palácio do Planalto para permitir a Mangabeira trocar o PRB, de Alencar, pelo PMDB.
Mangabeira chegou a divulgar nota no começo do mês negando a intenção de deixar o governo e afirmando que negociava a prorrogação da licença. No documento, o ministro ressalvava que não existia “problema político ou programático na relação dele com o presidente e com o governo”.
A passagem de Mangabeira pelo governo Lula, no entanto, foi marcada por polêmicas. Em artigo publicado em 2005, antes de integrar a equipe ministerial, Mangabeira disse que o governo Lula ocupava o topo do ranking da história da corrupção nacional: “O governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos”, criticou Mangabeira na ocasião.
A aproximação entre o presidente e Mangabeira começou durante a campanha presidencial de 2006, por pressão do vice-presidente. Após a reeleição de Lula, a secretaria que Mangabeira assumiria enfrentou dificuldades para ser criada depois de o Senado rejeitar a sua existência por medida provisória. Lula foi forçado, posteriormente, a recriar a pasta por projeto de lei.
Mangabeira foi escolhido por Lula para coordenar o Plano Amazônia Sustentável, motivo pelo qual foi apontado como pivô da demissão da senadora Marina Silva (PT-AC) do Ministério do Meio Ambiente. Chamado por Lula de “ministro das ideias”, Mangabeira dedicou a maior parte de seu tempo no cargo na criação de projetos para a Amazônia, além de, juntamente com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, elaborar o Plano Nacional de Defesa.
A controversa medida provisória que respalda a regularização fundiária em curso nos estados da Amazônia Legal é resultado de um debate iniciado dentro do governo por Mangabeira Unger. O novo processo de ocupação institucional da região, segundo ele, só obterá sucesso depois de um novo marco legal, já que hoje apenas 4% das terras são tituladas. Crítico de órgãos como o Incra, ele chegou a sugerir a criação de um novo instituto para tocar a regularização, mas foi derrotado pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. Intelectual preparado, Unger foi um crítico da ausência de debates internos no governo e, em diversas ocasiões, exortou o Palácio do Planalto e seus colegas na Esplanada a abandonar o medo de expor idéias.
Fonte: Jornal do Brasil




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