Ciência anuncia 250 geoglifos descobertos no Acre

Enviada em 25 de julho de 2009 – Imprimir esta matériaEnviar para um amigo

Ciência anuncia 250 geoglifos descobertos no Acre Os pesquisadores Alceu Ranzi e Denise Schaan anunciaram nesta sexta-feira, 24, a identificação de vinte novos geoglifos no Vale do Acre, elevando para 250 o número de estrutura catalogadas em Senador Guiomard, Rio Branco, Xapuri, Plácido de Castro, Acrelândia e Epitaciolândia. Algumas ocorrências foram registradas também em Sena Madureira, Bujari  e Epitaciolândia. Acrelândia possui grande potencial de pesquisa  e identificação.

“Teremos novas escavações em 2010”, informou Schaan. As últimas escavações fizeram uma descoberta importante em Xapuri: um buraco de esteio em boas condições foi localizado em um geoglifo de formato  redondo, reforçando a tese de que os índios  daquela época poderiam ter usado fortificações paliçadas para habitação e segurança.

Geoglifos são sítios arqueológicos em estrutura de terra construídos há cerca de 2.000 anos e que pela complexidade remontam à civilizações  pré-colombianas de elevado grau de conhecimento em várias áreas e domínio de avançadas técnicas de movimentação de terra e água. As pesquisas, de acordo com a arqueológa Denise Schaan, integrante do Grupo de Pesquisa Geoglifos da Amazônia, tem envolvido rastreamento em imagens de satélites cedidas pela Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), sobrevôos e visitas de campo, quando os sítios são mapeados, fotografados e por vezes materiais arqueológicos são coletados para análise. Com o resultado dos trabalhos realizados, já existem alguns acadêmicos que estão desenvolvendo monografias de graduação e especialização sobre os geoglifos do Acre.

Coordenado por Schaan, que é também presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira, o grupo de pesquisa registrado no CNPq com o nome de “Geoglifos da Amazônia Ocidental” vem desenvolvendo desde 2005  pesquisas intensivas sobre os geoglifos no Estado, com o objetivo de fazer um amplo levantamento dos geoglifos na parte Leste do Acre.

Ciência anuncia 250 geoglifos descobertos no Acre Os geoglifos fazem parte de uma lista do Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para recomendar à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) o tombamento dessas estruturas como patrimônio cultural da humanidade, assim como as Pirâmides do Egito e as Ruínas de Machu Pichu, no Peru, entre outros exemplos.

O GGAO vem distribuindo folhetos explicativos aos moradores das áreas onde a pesquisa é feita a campo. Em outros lugares do mundo existem estrutura gigantescas que podem ser vistas do alto, como as linhas de Nazca, no Peru. Existem também estruturas de terras defensivas  e estradas no Alto Xingu e colinas de terras e lagos artificiais  construídos na Ilha do Marajó por civilizações pré-colombianas. Mas os geoglifos ocorrem apenas na Amazônia Ocidental. Por serem únicos, tem o potencial  de atraírem a atenção de pesquisadores e visitantes de todo o mundo.

Um geoglifo é uma marca na terra que, por suas dimensões, só é percebida completamente do alto. Na parte oriental do Acre, tem sido encontradas essas estruturas de terra em formatos como círculos, retângulos, hexágonos e outros. Essas estruturas compõem-se  de uma vala de um a três metros de profundidade, escavada no solo argiloso, e de uma mureta externa formada pela deposição do solo escavado. O desenho impresso no solo possui entre 100 e 300 metros de diâmetro.  

O grupo de pesquisa conta com apoio do CNPq, Governo do Estado do Acre, universidades Federal do Pará e Federal do Acre, Instituto Íbero-Americano da Finlândia e Biblioteca Marina Silva.

Fonte: Agência de Notícias do Acre