A Justiça Federal decretou, neste sábado (9), a prisão preventiva de quatro investigados pela morte do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira, no Vale do Javari.

Um dos presos é Rubens Villar Coelho, conhecido por “Colômbia”, que foi detido pela Polícia Federal nesta sexta (8). Coelho já era investigado pela PF e foi preso portando documentos falsos.

Além deles, o trio Amarildo da Costa Oliveira, conhecido com “Pelado”, seu irmão Oseney da Costa Oliveira, conhecido como “Dos Santo” e Jefferson da Silva Lima, chamado de “Pelado da Dinha”, também tiveram a prisão preventiva decretada.

O trio responde pela prática dos homicídios de Dom e Bruno.

“Todos os presos serão oportunamente transferidos para Manaus, onde permanecerão à disposição das autoridades policiais e da Justiça Federal”, informou a Polícia Federal, em nota.

Prisão de “Colômbia”

A Polícia Federal (PF) confirmou, nesta sexta (8), à CNN a prisão de Rubens Villar Coelho, conhecido como “Colômbia”, que teria participado dos assassinatos no Vale do Javari, no Amazonas.

Coelho já era investigado pela PF e foi preso portando documentos falsos. De acordo com o delegado Eduardo Alexandre Fontes, a real identidade do suspeito ainda está em investigação, uma vez que ele apresenta nomes distintos em documentos de diferentes países.

“Estamos apurando que essa pessoa conhecida como ‘Colômbia’ trabalha com pesca, segundo ele, ele compra pescados. Estamos apurando se existe ou não uma pesca ilegal e se existe apenas uma relação comercial com outros comerciantes ou se ele participa e financia uma pesca ilegal na região”, afirmou o delegado em entrevista à imprensa.

A PF também afirma que o suspeito trabalha com pesca na região do Javari e seria chefe de Amarildo da Costa de Oliveira, um dos autores dos disparos, já preso anteriormente.

“Colômbia”, investigado por suposto envolvimento no caso Bruno e Dom / Divulgação

Juíza do Amazonas envia processo à Justiça Federal

A juíza Jacinta Silva dos Santos, titular da Comarca de Atalaia do Norte, município do interior do Amazonas, determinou, na última quinta-feira (7), o envio para a Justiça federal do processo sobre os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Philips, ocorridos no dia 5 de junho deste ano. O caso está sob segredo de justiça.

Pereira e Phillips foram mortos a tiros e tiveram os corpos queimados e enterrados durante uma expedição em uma região que é palco de conflitos recorrentes na Amazônia: tráfico de drogas, roubo de madeira e avanço do garimpo.

A informação foi confirmada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). Na decisão, a magistrada observou que o relatório das investigações realizadas pelas Polícias Civil e Federal, e que consta nos autos processuais, conclui que a motivação do crime estaria relacionada diretamente com os direitos indígenas, cuja análise da matéria jurídica é de competência da Justiça Federal.

Além disso, o Ministério Público também pediu a declinação da competência para a Justiça Federal. “Essas informações não constavam anteriormente nos autos, o que permitia, portanto, a atuação do Juízo estadual nesse processo”, explicou a juíza.

O TJ-AM informou ainda que, no final da tarde da última quarta-feira (6), houve um pedido das autoridades policiais que estão à frente das investigações para que a Justiça convertesse a prisão temporária de três investigados em prisão preventiva.

O caso

O jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira Araújo foram considerados desaparecidos a partir do dia 5 de junho, na região do Vale do Javari, área de terras indígenas no Amazonas.

Após o caso ganhar repercussão, diversas figuras públicas, ambientalistas, ativistas, artistas e políticos de oposição foram a público cobrar providências urgentes para a busca da dupla.

Um dos principais suspeitos pelo desaparecimento, Amarildo Oliveira da Costa, conhecido como Pelado, confessou ter participado do assassinato da dupla mais de uma semana depois.

Ele e seu irmão, Oseney da Costa de Oliveira, o “Dos Santos”, estão presos suspeitos de terem participado do crime. Já Jeferson da Silva Lima, chamado de “Pelado da Dinha”, foi detido por suspeita de ter participado da ocultação dos cadáveres. Outras cinco pessoas foram identificadas como atuantes na ocultação dos corpos de Bruno e Dom.

Rubens Villar Coelho, um homem de nacionalidade peruana, conhecido como Colômbia, seria chefe de Pelado e foi preso nesta sexta-feira, 8 de julho.

Amarildo então indicou onde teria enterrado os corpos da dupla, e a polícia confirmou a existência de remanescentes humanos no local. Exames confirmaram que os corpos eram de Dom de Bruno.

Por Editoria

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