A economia do Reino Unido ainda deve ter “tempos difíceis” à frente, afirmou a ex-primeira-ministra do país, Theresa May, em um evento no Brasil nesta quinta-feira (4).

Participando remotamente do evento Expert XP 2022, May falou sobre o nível recorde de inflação no Reino Unido, o maior em 40 anos, e as ações do banco central do país, o Banco da Inglaterra, para conter a alta generalizada de preços.

A política destacou que a autarquia anunciou nesta quinta-feira que espera uma inflação no país atingindo os 13% até o fim do ano. A projeção foi divulgada junto com a alta de 0,5 ponto percentual na taxa de juros do Reino Unido, a maior elevação desde 1995.

“Eles estão tomando a ação que acreditam ser necessária para controlar a inflação, que está sendo sentida em outros países pelo mundo. É um cenário difícil para se lidar”, ressaltou May.

Ela afirmou que, nesse cenário, é importante que o governo atue para garantir um bom ambiente para negócios, gerando mais crescimentos e empregos, em especial em setores fortes do país, como o de serviços financeiros.

“O governo tem olhado para isso, como desregular o setor, garantir que sejamos um centro financeiro no mundo. Temos a vantagem do setor direto e um ecossistema que o apoia, é uma grande vantagem que acredito que poderíamos aumentar, e precisamos olhar para outras partes da economia, como desenvolvê-las mais”, afirmou

Mesmo assim, ela avaliou que o país ainda deve passar dificuldade, com novas altas nos preços de energia e alimentos, puxados pela guerra na Ucrânia, e que não há “uma única coisa” que o governo possa fazer para resolver o problema inflacionário no curto prazo, mas sim ações para “garantir que a economia consiga se recuperar”.

Dentre os setores que a política defendeu para investimentos está o de economia verde. May destacou que é possível combater as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, gerar um crescimento na economia.

“Acho que há oportunidades reais para lidar com as mudanças climáticas, a dificuldade é que as pessoas tem uma mentalidade de que o único jeito de crescer é a partir do jeito antigo. Precisamos de um senso de inovação, mover para uma economia diferente”, disse.

Ainda sobre o tema, a ex-primeira-ministra afirmou que a crise de fornecimento de energia pela Rússia com a guerra reforçou as preocupações com o tema da segurança energética, mas que isso não impede a realização da transição para fontes renováveis. “Precisamos questionar o que podemos fazer para reduzir emissões de gases mas ao mesmo tempo aumentar a segurança energética e ter energia mais barata, e acho que é possível fazer isso”.

Sobre o papel do Brasil nesse cenário, May disse que, independentemente do resultado das eleições de 2022, “o mundo estará olhando” para a forma como o Brasil lidará com a Amazônia, e que espera que o governo se comprometa com as ações firmadas na COP26 de preservar florestas tropicais.

Por Editoria

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